2017, um ano que você precisa ouvir

Um ano à flor da pele.

Dois mil e dezessete, um ano que parece curto em virtude dos inúmeros shows e produções que vieram para balançar, inovar ou, até mesmo, solidificar grandes formações no mundo da música.

Foram incontáveis obras em diversos gêneros musicais. Do pop ao rock, do funk ao samba, de Royal Blood a Pablo Vittar.

Um ano repleto de estilos, formas, cores e muita qualidade.

Esse primeiro semestre foi surpreendentemente bem representado pela esfera musical. No entanto, escolhi – com muita dificuldade – três obras que mais me chamaram a atenção. São elas:

“How did we get so dark?” do Royal Blood

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Nesse segundo disco da banda, que surgiu em 2014, ficou claro o alto nível da união do som do duo de baixo e bateria. Os riffs continuam com a mesma pegada imponente e os instrumentos conversam entre si, nos trazendo a consolidação de uma banda que mostrou a que veio. Da terra da Rainha, Ben Thatcher e Mike Kerr, surgiram para o mundo e trouxeram com o seu novo álbum canções melódicas e conceituais. Perca meia hora do seu dia com uma das maiores bandas de rock da atualidade e se permita dançar ao som de I only lie when I love you e sinta a combinação fantástica de vozes e timbres da melhor faixa do álbum: Lights out.

 

“Espiral de ilusão” do Criolo

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Depois de 3 anos do nascimento de “Convoque seu Buda”, Criolo resolveu ir longe na sua busca por novas experiências e sonoridades. Com o seu novo álbum todo voltado para o samba, fica difícil não se envolver com as letras que desde os primórdios dão um “Nó na orelha”, quando acerta o seu âmago ao falar sobre os “Meninos mimados”. E cá entre nós, eu “Tô pra ver” desde muito tempo onde a capacidade e qualidade desse paulistano vão chegar. É alma que inspira poesia e ritmo abraçando o Brasil em todas as suas cores, formas, gêneros e medidas.

 

“DAMN.” Do Kendrick Lamar

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Brilhantemente, ”DAMN.” é um quebra cabeça onde cada música se encaixa perfeitamente. Contrariando a liquidez das produções de singles que se perdem por não pertencer a nenhum propósito, Lamar construiu uma obra que se completa e espanta pela complexidade das suas rimas!

De forma genial, ele não se resume em contar uma única história no conjunto de suas faixas, como foi feito em “To pimp a butterfly”, lançado em 2015, mas cada canção é formada por uma análise de suas próprias filosofias.  No titulo de cada música fica explícita a intenção de cada uma e demonstrando que todas estão interligadas: “BLOOD.”, “DNA.”, “PRIDE.”, “LUST.”, “HUMBLE.”, etc.

Com uma pegada mais clássica, “LOYALTY.” tem uma leveza nas rimas e conta com a participação da Rihanna. Devo confessar que “HUMBLE.” é a minha preferida, com uma intensidade mais pesada que conseguiu me fazer superar (um pouco)  as cativantes “Alright” e “Bitch, don’t kill my vibe” do seu último álbum.

Apesar de minimalista, essa produção do rapper, é um jogo completo de reflexão sobre a vida.   A faixa que conclui a obra tem seu sobrenome, “DUCKWORTH”,  uma jogada sensacional que começa do “BLOOD.”, segue o “DNA.” e passa por elementos essenciais da vida, terminando na formação do ser.  Confirmando todo o seu trabalho, ele encerra o ciclo com a morte, caracterizada por um tiro, e toda essa história é rebobinada de volta ao início de tudo, da vida, da obra, finalizando (ou começando) com o seu primeiro verso, da primeira música do álbum: “So, I was takin’ a walk the other day…”. Como a vida, seu álbum foi um ciclo e a consolidação de um dos melhores rappers da atualidade que ainda se atém à arte da produção musical.

Te garanto, vale a pena:

Julia Rodrigues

Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Júlia! Ser gauche na vida… Contrariando as expectativas do anjo e Drummond a parte.. 21 anos, graduanda do curso de Direito e nas horas vagas professora de inglês, cinéfila, apaixonada por música, aspirante a violinista e por boa [ou má] influência dos signos do Zodíaco, geminiana que odeia mau humor

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Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Júlia! Ser gauche na vida… Contrariando as expectativas do anjo e Drummond a parte.. 21 anos, graduanda do curso de Direito e nas horas vagas professora de inglês, cinéfila, apaixonada por música, aspirante a violinista e por boa [ou má] influência dos signos do Zodíaco, geminiana que odeia mau humor