AHS Cult – Sétima temporada traz a ameaça do extremismo ideológico à flor da pele

Depois de explorar os mais diversos medos americanos, American Horror Story finalmente abre mão da penumbra retrô que insistia em fazer parte da estética da série, podendo ser notada até mesmo em temporadas ambientadas em épocas atuais. Há sete anos no ar, AHS já trouxe fantasmas, monstros nas mais variadas aplicações da palavra, bruxas, assassinos e diversos outros terrores para as telas do seu público, mas dificilmente esperaríamos um terror tão real e imediado quanto neste ano da série.

Cult, como foi subtitulada, nasceu em meio à uma intensidade midiática nos EUA: na televisão, a insanidade da disputa política história entre Donald Trump e Hilary Clinton; Na internet, dezenas de vídeos amadores mostravam aparições de pessoas com fantasias de palhaço, amedrontando moradores pelas ruas durante a noite. A polícia até chegou a ser envolvida em alguns casos, devido à conotação quase terrorista do “fenômeno”.

Depois de criar todo um ocultismo como parte da divulgação em Roanoke – sexto ano da série -, Ryan Murphy trouxe a nova temporada totalmente às claras, revelando desde o início sua inspiração, baseada basicamente em palhaços e Charles Manson. Murphy também declarou desde o começo a entonação política que Cult traria em sua trama, inclusive sobre a objetividade de suas críticas.

A sétima temporada escancarou os extremos com sangue e verdades na tela de seu público. Trouxe tanta realidade que talvez seja fácil categorizá-la como uma das mais assustadoras já lançadas. De um lado temos Kai, simbolizando um conservadorismo extremo, impiedoso e sanguinário. Personagem interpretado por Evan Peters se encarrega não só de se tornar o símbolo das partes mais óbvias dos extremos mas também apresenta de forma majestosa todo o poder da crença, a força que a motivação possui em cada pessoa para qualquer finalidade. Do outro vemos Ally, uma jovem mãe, que a princípio é uma vítima fragilizada, que luta todos os dias contra suas fobias e traumas do passado.

Inundado em riquíssimas referências e sem grandes alegorias, American Horror Story entrega sim Cult como um excelente resultado. As atuações, sem sombra de dúvidas, são o maior destaque da temporada, trazendo Sarah Paulson gloriosa como de costume, e uma indescritível desenvoltura de Evan Peters, que fez jus ao seu protagonismo entregando muito mais do que lhe havia sido solicitado. Aqui precisamos destacar também a novata Billie Lourd, que comprou o talento vindo de família, dando vida à personagem Winter de forma exemplar.

É muito satisfatório ver o crescimento dessa produção de forma tão tátil desde o seu primeiro ano, colocando sua identidade de forma imponente e conseguindo se reinventar em cada nova season sem perder nenhuma parte de sua essência. Com uma narrativa impetuosa e uma personalidade singular, o sétimo ano do seriado é assustadoramente verdadeiro, apresentando uma narrativa muito inteligente e bastante necessária diante da realidade atual da nossa sociedade.

Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.