American Horror Story: renascida sem perder suas origens

Mais uma temporada de American Horror Story chegou ao fim e trouxe consigo um 6º ano marcado por um total renascimento e reprogramação da série. Os diretores e produtores avisaram que assim seria, mas quando se trata de AHS ninguém nunca vai acreditar. Como a maioria sabe, essa série possui temporadas independentes desde o início, mantendo, em sua grande maioria, o elenco principal em papéis diferentes. Cada temporada contou uma história, mas, particularmente, nenhuma delas, até então, havia sido uma história verdadeiramente de horror.

O 6º ano trouxe para as nossas telas uma história sobre o povoado de Roanoke, lenda urbana mais antiga dos EUA, que conta sobre uma pequena colônia onde todos os seus 147 moradores desaparecem sem deixar rastros. Tido isso, Ryan Murphy, que já é reconhecido pela sua engenhosidade no mundo da televisão, deu vida a uma história completa, aterrorizante e, principalmente, atual. A 6º temporada do show trouxe uma construção nunca vista na TV. Ryan soube brincar com o telespectador e nos fazer reféns, assim como os personagens, das fatalidades em torno daquela região. A sede pela fama e o exibicionismo são peças chaves em sua crítica à própria indústria do entretenimento. A temporada decolou e se desmembrou de uma maneira adulta e pontual – que ainda não havia sido vista pelos fãs da série.

Cada uma das temporadas trazia até hoje uma ótima ideia mas, que de alguma forma, murchava e não conseguia se sustentar. Sempre surgiram histórias paralelas completamente jogadas que não davam a lugar algum, ou pequenos plots que nunca fizeram o menor sentido. Mas desta vez seria diferente. A começar pela divulgação, Murphy e sua equipe estruturaram totalmente o oposto de tudo que tinha sido feito até então: ninguém fala nada. Semanas antes da estreia ainda não sabíamos se quer o título ou tema. Não houve divulgação e até os teasers que “vazaram” na Comic Con foram dignos de um pronunciamento oficial alegando que eram completamente falsos.

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Roanoke trouxe canibalismo, tortura e, principalmente, muito sangue. Isso sem mencionar o terror psicológico exuberante que os produtores conseguiram alcançar com um jogo de câmeras já usado em filmes de terror mas nunca de maneira tão compassada. Com apenas dez episódios, o 6º ano da série foi calculado do começo ao fim e coube exatamente no que todos requisitavam. Pela primeira vez, as histórias paralelas conseguiram se aliar ao enredo principal sem causar danos à história como um todo.

Marcando um aumento no público que não era registrado desde o fim de Coven (3ª temporada), Roanoke é feita por adultos e para adultos. Mas, apesar do excelente resultado no geral, o desfecho da história deixou muito a desejar. A pontualidade da série se perdeu de uma maneira tão súbita que nem é possível se explicar. O enredo, bem costurado, tropeça em si mesmo ao tentar conectar com outras temporadas e, mais uma vez, AHS deixa os fãs com uma certa dose de decepção difícil de engolir.

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Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.