Atômica – A personalidade que precisávamos no cinema

Em meio à hegemonia dos super heróis nas telonas, Atomic Blonde – distribuído no Brasil como Atômica – traz uma alternativa muito satisfatória aos longas nascidos de histórias em quadrinhos. A novidade, que entrou em cartaz no último dia 31, é inspirada no romance gráfico The Coldest City, de Antony Johnston e Sam Hart, lançado em 2012. Na história, Lorraine Broughton é uma super espiã do MI6 que precisa recuperar uma lista de agentes e o corpo de um agente morto às vésperas da queda do Muro de Berlim, em 1989, na Alemanha.

Estrelado por ninguém menos que Charlize Theron, o filme traz uma identidade invejável em tempos onde os diferenciais também estão sofrendo certos tipos de padronização. Atômica é, antes de qualquer coisa, um longa sincero, que deixa claro para o público desde o primeiro minuto sua história e a forma como irá contá-la. A primeira produção assinada por David Leitch, ex-dublê e co-diretor do primeiro John Wick, não poderia ter resultado em um produto melhor. Com uma montagem fenomenal e uma perfeita utilização de composições gráficas, que facilmente ambientam a trama à realidade da história em quadrinhos, Leitch traz uma fotografia invejável, que consegue fazer parte da história de maneira consistente e muito recorrente.

A mixagem e a trilha sonora não poderiam ter ficado por menos. Com uma playlist digna de ser usada como marketing do filme, a novidade se autoafirma em cada minuto de cena, entregando um resultado final extremamente valioso. Com Mad Max no currículo, Charlize mais uma vez se consagra como um ícone de cenas de ação da sua geração, trazendo um protagonismo extremamente confortável com o papel. Tamanho é esse conforto que ela acabou protagonizando também suas cenas de ação, abrindo mão de seus dublês. Nenhum elemento das cenas é colocado ali em vão, e isso se torna concreto apenas com o figurino de Lorraine, que não perde seu requinte e estilo nem depois de muita pancadaria e muito sangue.

A narrativa é outro ponto muito positivo por funcionar muito bem e se manter acessível sempre que possível. O sarcasmo traz o tom que o enredo precisava finalizando a produção com o melhor resultado que poderíamos esperar. Atômica é sincero, certeiro e, sem dúvidas, um filme singular com a personalidade de que precisávamos no cinema. Com 1h55 de duração, a novidade é o thriller de espionagem que você precisa assistir, confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.