Bandas que sofreram mudanças boas (e outras nem tão boas assim)

É muito estranho – e incômodo – quando a gente gosta de uma banda e de uma hora pra outra ela troca de vocalista, não é mesmo?

Não é que os outros integrantes da banda não possuam o mesmo valor, muitas vezes até tem mais, afinal, o que seria do Blink 182 sem o baterista Travis Barker? Ou do Guns N’ Roses sem o Slash na guitarra? Bom, nesse caso a gente já sabe…

Na maior parte dos casos, cabe ao vocalista o papel de trazer o público mais despretensioso – falo isso na posição de ouvinte, pois muitas vezes a pessoa possui uma relação maior com a música, como músicos, produtores, DJs, etc, e por consequência o interesse pode ocorrer através da questão técnica, o que anularia esse argumento – a conhecer a banda.

Uma das maiores frustrações de quem curtia rock nacional entre o fim dos anos 90 e o começo dos anos 2000 foi a saída do vocalista Rodolfo Abrantes (que Deus o tenha) dos Raimundos. Não foi fácil aprender a aturar o Digão – que até é mais técnico – como frontman da banda.

Alguns bons anos depois todo mundo viu que a banda nunca mais foi a mesma – e talvez não devesse ser -, mas há uma frase de uma música dos Titãs que resume o sentimento em torno dessa questão: “dizem que não há nada que você não se acostume, cala a boca e aumenta o volume então”.

O Blink182, banda que inspirou o texto todo, é um caso contrário aos Raimundos. Recentemente, cansados da falta de profissionalismo de seu líder, Tom Delonge, o baixista Mark Hoppus e o baterista Travis Barker decidiram continuar sem o Tom. Ao que parecia uma tragédia anunciada para a maioria dos fãs, acabou se tornando uma grande surpresa, pois anunciaram que o Matt Skiba, vocalista e guitarrista do Alkaline Trio substituiria Delonge e a resposta foi extremamente positiva, pois Skiba correspondeu às expectativas e gravou um em excelente disco com a banda, o California (2016).

Ainda é cedo para afirmar que Matt Skiba continuará como o vocalista da banda em definitivo, mas esse é um caso que ilustra como nem sempre a saída do vocalista pode simbolizar o fim de uma banda.

O Black Sabbath é o Ozzy Osbourne, e o Ozzy é o Black Sabbath, correto?! É difícil imaginar algo diferente, não é mesmo? No entanto, sabemos que a banda já teve uma caralhada grande quantidade de vocalistas. Já passaram DEZ vocalistas pela banda, entre eles David Donato, Glenn Hughes, Dave Walker, Tony Martin e o grandioso RONNIE JAMES DIO. Mas foi com o velho comedor de morcegos vivos que a banda ficou conhecida e consolidada como é hoje e após muitos anos de carreira solo, o velho louco da porra voltou para mais alguns discos e turnês antes de encerrar a carreira.

Outra banda que teve de deu uma puta de uma guinada um grande impulso na carreira após a troca de vocalista foi o Iron Maiden. A banda inglesa teve dois outros vocalistas antes de Bruce, Paul Mario Day, que passou apenas alguns meses à frente da banda e não chegou a gravar nenhum disco e Paul Di’Anno, vocalista que esteve presente nos dois primeiros discos da banda, os clássicos Iron Maiden (1980) e Killers (1981). No entanto, não há como negar que Bruce Dickinson é o grande responsável do patamar que a banda possui nos dias de hoje, pois logo que entrou já gravou um dos discos mais clássicos da banda, o aclamado The Number Of The Beast (1982) e ajuda a banda a se consolidar como uma das maiores de Heavy Metal de todos os tempos.

 

Após a morte do vocalista Bon Scott, o AC/DC se viu próximo do fim, mas foi quando Brian Johnson assumiu os vocais, e o resto da história a gente já conhece, né? Hoje infelizmente a banda se aventura com Axl Rose nos vocais. Que coisa triste.

O Sepultura vai bem, obrigado. E por mais que alguns fãs mais conservadores até hoje não apoiem Derrick Green, não há como negar: o cara é foda. Após assumir a bronca de ser o novo vocalista de uma das maiores bandas de Metal da época, Green, aos poucos, empregou seu estilo mais técnico de voz à banda sem que pra isso precisasse deixar o peso de lado. A banda sobreviveu à saída dos irmãos Cavalera e provou ser muito mais do que o disco Roots (1996), apesar de Max e Iggor ainda estarem presos a essa data.

 

Danilo Ruffus
Jornalista, fadigado e resmungão. Sofre da síndrome do underground, acredita no apocalipse zumbi e ainda brinca de ter banda de rock.

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