Belém do Pará: um roteiro para o estômago

Esta foi a minha quarta viagem para o Pará, no norte brasileiro. E mesmo pela quarta vez, a cidade me encantou com seus sabores, aromas e texturas. Por isso, vim dividir um pouco dessa rica experiência com vocês e, de quebra, mostrar tudo que devorei por lá!

Quem sabe alguém não se convence a dar uma passeada por esse cantinho de Amazônia que traz consigo um aconchego imenso para o estômago?

Açaí com peixe frito: Açaí com granola, banana, chocolate e outras coisas? Nem pensar. Lá o que se vê e se prova é o Açaí puro com peixe frito, camarão, charque e linguiças…  Talvez, para nós do sudeste, esta seja a mistura mais louca dos paraenses. E esquisita também. Mas não. Afirmo e coloco a minha mão no fogo por essa maravilhosa combinação que o Pará nos deu. Primeiro que o açaí de lá nada tem de parecido com o nosso, por isso, seu sabor puro, único e indescritível é extremamente perfeito para um pedaço de peixe frito! E aquela farinha de tapioca esperta que faz “croc croc” na boca. Um espetáculo.

Dica: Point do Açaí perto da estação das docas.

 

 

Comida simples de rua: Belém tem inúmeros restaurantes, alguns até estrelados e famosos (falarei mais abaixo sobe isso), mas dessa vez eu provei uma comidinha tradicional, simples e deliciosa. Uma porção de peixe frito e uma de carne de caranguejo. Acompanhamentos simples: arroz, feijão, vinagrete com coentro e farinha de mandioca com manteiga de garrafa. Posso dizer? Foi uma das melhores comidas que eu provei na vida. Eu amo peixe, amo caranguejo, amo coentro e a farinha de lá, é outro nível.

Dica: Coma no Boteco da Alzira, no bairro Marco, uma garagem com mesas plásticas e comida feita com o coração.

 

Turistando e comendo em Cotijuba: Cotijuba é uma das ilhotas que cercam Belém e que tive o prazer de conhecer. Distante 40 minutos de “pó-pó-pó” (os barquinhos de madeira), ao chegar à Ilha, que vive da pesca, turismo e agricultura, basta escolher uma das 11 praias e passar o dia em sombra e água fresca em belíssimas praias de rio. Em todas, quiosques divertem e servem os turistas. Fui para a Praia do Vai Quem Quer (o nome é originário da distância dela do cais, é longe), e lá desfrutei de uma maravilhosa e honesta porção de Peixe Frito e uma de Camarão, molhando a garganta com uma Tijuca gelada e uma paisagem dos deuses. É um passeio maravilhoso para quem gosta de comer bem e, de quebra, aproveitar o rolê.

Dica: Praia do Vai quem quer. Vá de moto-táxi, é mais rápido. Fique no quiosque azul com várias redes, logo na entrada.

 

Uma refeição estrelada: Minha última refeição em Belém foi feita no Remanso do Bosque, dos chefs Thiago e Felipe Castanho, reconhecido como um dos melhores restaurantes o Brasil. Em 2016, esteve na lista dos 50 melhores da América Latina. Com a premissa de fazer uma cozinha amazônica de raíz, eu nem sabia o que esperar e fui surpreendida em cada mordida. Pra começar, pãezinhos quentinhos e macios com manteiga de Cupuaçu, um espetáculo.

O drink, chamado de Tacacachaça, leva cachaça de jambu, suco de maracujá e um sabor do céu que deixa o lábio dormente.

Pedimos “o clássico” Filhote na brasa, vinagrete de feijão e mandioca cozida. Parece tão simples, mas QUE SABOR. Sabe um peixe crocante por fora com sabor de grelhado na churrasqueira e manteiga derretida, mas macio por dentro? Não? Era esse. Cada garfada eu agradecia por ter o privilégio de ter provado aquela comida.

Para a sobremesa, quis o bonitinho Mousse de Chocolate com Doce de Cupuaçu no vaso de barro, que mais parece um vasinho de terra (achei fofo). No fim desse almoço eu só desejava sentar no avião e sonhar com essa comida maravilhosa.

Dica: Remanso do Bosque. Mais caro, porém, maravilhoso.

Eu poderia ficar mil horas escrevendo sobre todas as maravilhas da culinária Paraense, mas vou deixar essa lombriguinha crescer no seu estômago. Eu sei que viajar pra fora do Brasil é bem mais “cool”, mas conhecer o nosso país, a nossa cultura e a nossa comida, é surreal. E eu mais que recomendo uma viagem por terras amazônicas, pois nem só de floresta vive o norte brasileiro!

Mariana Nogueira

Chef por formação, Social Media por destino e colecionadora de aprendizados. Acredita que a vida só faz sentido se tiver o nosso tempero.

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