Better Call Saul – Uma aula de como fazer um spin-off

Para quem já havia se graduado em cinco (seis) temporadas de Breaking Bad, o resultado de Better Call Saul soa bastante previsível, mas essa certeza sobre a qualidade trazida às telas pelas mãos de Vince Gilligan não pode desmerecer, em momento algum, a excelência do produto final em questão. O spin-off é uma verdadeira aula de como fazer uma série derivada, justamente por conseguir trazer tudo o que sua aclamada “mãe” tinha de melhor sem perder o espaço e, antes de qualquer coisa, sua identidade individual.

A novidade produzida e transmitida pela AMC, ganhou o selo de Original Netflix após a plataforma adquirir mais da metade dos seus direitos de distribuição e acabou de encerrar sua terceira temporada de maneira grandiosa. Com uma estruturação de narrativa impecável, a história de Jimmy McGill chega ao público com um domínio de câmera e enredo que me faltam palavras para elogiar de forma adequada. Com uma fotografia que celebra silenciosamente a já finalizada história de Walter White, a ascensão de Saul é feita de forma tão singular e tão adequada ao personagem em questão que a harmonia é consideravelmente tátil para quem assiste.

Com um elenco indescritível, Vince Gilligan trouxe às telas, dessa vez, personagens que boa parte do público já amava odiar, seis anos antes do império de Heisenberg. Esse tempo pode parecer pouca coisa, mas a trama é construída com tanto cuidado e talento que é fácil se emocionar quando “descobrimos” o que foi aquela história, meia dúzia de anos antes de ela ser aquela história. O domínio de câmera conversa com o público de maneira íntima e consegue trazer uma veracidade ao enredo que realmente vale a pena.

Falar que Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn e Patrick Fabian fazem nas telas – enquanto vivem Jimmy, Mike, Kim e Howard, respectivamente – soa como confuso e ganancioso, mas a contemplação que esse casting traz para o show ultrapassa o profissionalismo de maneira praticamente musical. É necessário destacar a trama de Charles e a interpretação do ator: Michael McKean dá vida à um transtorno emocional/mental com uma sensibilidade indescritível, aliás, toda a trama desse personagem, tanto pessoal quanto entre ele e o irmão, Jimmy, já valem por todo o seriado.

Com três temporadas de dez episódios cada, o show está inteiramente disponível no serviço de streaming.

Confira o trailer:

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Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.