Big Little Lies – A sensibilidade do cotidiano usando salto alto

Já reconhecida pelo sucesso das suas produções – como The Sopranos e, claro, Game of Thrones -, nossa querida HBO trouxe ao público no início desse ano uma minissérie inspirada no livro homônimo de Liane Moriarty. Pode soar repetitivo destacar a qualidade do produto final quando falamos de algo assinado por esse canal, mas isso já foi comprovado no último dia 17 na 69ª edição do Emmy, onde a novata fez a noite e levou para casa quatro estatuetas das suas sete indicações. Big Little Lies conta a história de cinco mulheres moradoras de Monterrey, na Califórnia, e que acabam se envolvendo em um assassinato durante um evento beneficente.

Com uma construção propositalmente frenética e por vezes confusa, o show apresenta seus fatos de maneira muito calculista. O cotidiano dos dias anteriores ao evento estão sendo apresentados assim como as pequenas grandes mentiras das protagonistas – Jane, Madeline e Celeste. Tudo é muito bem temperado com cenas do interrogatório a respeito do crime, o que concretiza o prazer pela fofoca, enraizado nos costumes da cidade. A história é contada com uma construção cheia de suspense que, apesar do ritmo lento, acaba prendendo o espectador. Sem nos dizer quem é o assassino ou a vítima, a narrativa se desdobra de maneira quase que musical em torno da fatalidade motivo da trama, trazendo a vida pessoal das protagonistas para primeiro plano sem grandes esforços.

Big Little Lies tinha tudo pra ser só mais uma história no mundo, mas a força do elenco escalado se torna palpável quando vista. Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Shailene Woodley, Zoe Kravitz, Alexander Skarsgard e Adam Scott dão vida aos protagonistas de forma tão surpreendente que fica impossível não se envolver, de fato, emocionalmente com a trama. Nicole e Alexander, que levaram merecidamente para casa os prêmios de Melhor Ator(a) em Minissérie, são um destaque indescritível, isso sem mencionar Shailene que, apesar da sua bagagem dramática ser direcionada à públicos mais jovens, também desempenha um protagonismo glorioso.

A fotografia dispensa elogios, esbanjando as paisagens naturais que só uma cidade litorânea pode oferecer, recheada de rochedos e alguns pores do sol indescritíveis. A sonoplastia então, que em boa parte acompanha a série, é trazida pela pequena Chloe, filha de Madeline, é daquelas que a gente precisa guardar dentro do coração pra nunca mais esquecer. É uma série maravilhosa, em diversos ângulos e realizações, como se pudéssemos esperar menos de uma produção deste nível. Sensível e extremamente tocante, a narrativa traz temas muito pessoais e bastante presentes no cotidiano. A força feminina baseada na amizade é trazida à tela com um nível artístico difícil de quantificar.

Com sete episódios de em média 60 minutos, a minissérie já ganhou os nossos corações e tenho certeza que vai merecer suas lágrimas.

Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.