Cara Gente Branca – Os debates sociais em foco

Banhada em debates raciais e étnicos, Dear White People foi a novidade da Netflix para esse fim de semana. Baseada em um filme independente de 2014, a série conta a história de alguns alunos da Universidade de Winchester – na grande maioria negros – e seus envolvimentos com uma sequência de escândalos e debates raciais dentro da instituição que, em pleno ano de 2017, ainda é consideravelmente tradicional, com grande maioria dos alunos brancos.

A série já foi recebida pelo público exatamente da maneira com que a história é apresentada: irônica, dramática, excessivamente forte e chocante em diversas cenas. Uma parcela considerável de assinantes do serviço decidiu boicotar a plataforma logo no lançamento do primeiro trailer – que possuía apenas 35 segundos – alegando “racismo reverso” e movimentando hashtags, em especial pelo Twitter, com diversos tipos de comentários negativos e várias tentativas para parar a série, enquanto outros chegaram a realmente cancelar o serviço por se sentirem “lesados” com a novidade.

Aproveitando os debates sobre a importância dos temas apresentados com o último grande sucesso de público do canal – 13 Reasons Why -, Dear White People estampa para o público o racismo diário que, infelizmente, a grande maioria das pessoas acredita já ser um problema do passado. Classificada como uma sátira a América pós-racial, o enredo apresenta um grande carregamento de ironia, muito bem alinhado a pontos de humor posicionados com consciência.

A estratégia da narrativa, focando cada episódio em um personagem, é visivelmente arriscada, dando ao desdobramento da trama alguns pontos de possível confusão do público. Por outro lado, essa estratégia ainda foi a melhor escolha justamente por permitir uma abordagem social mais ampla, sob o olhar de cada um dos personagens, apresentados separadamente em cada episódio. Ainda que não seja nenhuma solução sociológica imediata, Cara Gente Branca conseguiu levantar seu posicionamento de maneira muito consciente e sensata, o tempo todo.

Com o mesmo diretor do filme – Justin Siemen -, a série apresenta um cenário bastante realista, mas nenhum ponto merece mais destaque do que o imparável texto apresentado, debatendo e expondo o racismo em diversos níveis e formas de expressá-lo, ou sofrê-lo. Longe de qualquer questão de “se vingar do ódio racial e étnico”, Dear White People é um convite à conversação, e um luminoso alerta sobre a constante presença deste problema tão retrógrado.

Com dez episódios de pouco mais de meia hora, o show já está inteiramente disponível no catálogo. Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.