Cinco artistas que mudaram completamente o seu estilo musical

Sabe aquela história de que o tempo fez bem a alguém? Alguns artistas mostraram isso passando por verdadeiras transformações em suas músicas. Outros, nem tanto…

São poucos os artistas que conseguem manter uma carreira tão sólida usando a mesma fórmula para compor em todos os discos. E o exemplo mais clássico de uma banda que não consegue – ou não quer – se renovar é o AC/DC que, desde o primeiro disco, o T.N.T  (1976), ao mais recente Transmission Impossible (2016), transmite a sensação de que o que se ouve é sempre a mesma música.

Em contrapartida, há quem não consiga se estabelecer fiel ao seu gênero já no segundo disco, há casos surpreendentes de bandas que ficaram irreconhecíveis, ao ponto de que seria possível se lançar ao mercado com outro nome que poucos identificariam como sendo a mesma banda, como é o caso dos Beastie Boys que migrou do punk rock para o hip hop da noite para o dia, e deu muito certo.

O novo disco do Linkin Park, One More Light (2017) é um exemplo da absurda transformação pela qual a banda passou nos últimos anos e definitivamente abandonou o estilo que a tornou um grande ícone do rock mundial. A banda, que explodiu para o mundo mesclando hip hop com fortes bases de metal, credenciando-se como uma dos maiores nomes do nu metal, hoje flerta com o pop, poupando as já desgastadas cordas vocais de Chester Bennington, e, consequentemente, atraindo um novo público para a banda.

Algumas mudanças são mais surreais do que Linkin Park ou os Beastie Boys fizeram, se liga nessa lista:

Forfun: os cariocas do Forfun surgiram no ano de 2003 com o disco Das Pistas de Skate Para a Pista de Dança, e exploravam uma sonoridade influenciada pelo punk rock californiano com letras cujo conteúdo tinham um viés bem adolescente, sendo muitas vezes associadas ao deturpado e controverso emocore. Com o passar do tempo – graças a Deus – a banda se encontrou fazendo misturas com o reggae, dub, ragga e rap e se consolidou como um dos grandes nomes nacionais até encerrar as atividades com o brilhantíssimo disco (2015).

 

Pantera: pra quem ouve o Phil Anselmo no seu melhor gutural do cantando Respect, walk. What did you say? Respect, walk. Are you talking to me? Are you talking to me?”, não imagina o passado nebuloso pelo qual o Pantera passou antes de se tornar um dos maiores nomes do trash metal. Pois sim, lá pelos meados dos anos 80, em 1983, para ser mais exato, a banda navegou por águas sombrias e lançou o disco Metal Magic, uma mistura de hair metal, glam rock e power rock de dar medo. Confesso que desconhecia esse período da banda. E preferia não ter conhecido.

 

Bring Me The Horizon: quem conheceu recentemente a banda britânica de metalcore pode não entender o porquê de a banda ser classificada assim. Afinal, essa classificação dificilmente se enquadra em músicas tão melódicas como Doomed, Follow You, Throne ou no máximo aquele “hardcorezinho melódico” de Avalanche, certo? Errado! Antes do último disco de estúdio, That’s The Spirit (2015), a banda fazia um som completamente diferente do atual, com pedais duplos de fazer inveja em muito metaleiro marmanjo, guturais que deixam o diabo com inveja, a banda fazia um som muito, mas muito diferente no início de carreira. É possível notar que além da maturidade conquistada com os anos, a banda passou a priorizar o lado comercial também, pois até o visual mudou desde o seu primeiro disco, o pesadíssimo This Is What the Edge of Your Seat Was Made For (2004).

 

Avenged Sevenfold: há quem diga que o Avenged Sevenfold já foi uma banda. Brincadeiras à parte, antes da morte do baterista The Rev, a banda californiana de heavy metal teve em seu início, lá pelos anos de 1900 e guaraná com rolha, uma pegada bem diferente da atual. E sobre brincadeira inicial, é sério, a banda evoluiu pra caralho bastante desde então. Em seu primeiro álbum, Sounding the Seventh Trumpet (2001), a banda explora uma sonoridade voltada para o metalcore, mesclando vocais guturais e melódicos, algo bem diferente do que poderia ser ouvido posteriormente em City of Evil (2005), quando a banda começa a explorar seu lado mais melódico, por vezes até – me perdoem por isso – soando muitas vezes “hard rock”, e que viria a ser extremamente explorado e por vezes até mesmo cansativo do álbum Nightmare (2010) em diante. No entanto, a sonoridade do A7x talvez seja a que mais cresceu dessa lista.

 

Los Hermanos: apesar de ser uma das bandas com o público mais fiel – e mais chato – os cariocas dos Los Hermanos não foram tão fieis ao estilo de música que os consagrou. A banda estourou para o grande público em 1999 com o hit de Anna Júlia, mas para quem se preocupou em ouvir o resto do disco encontrou nele grandes influências de hardcore nas músicas Azedume e Aline, ou até mesmo referências de ska nas músicas Quem Sabe e  Lágrimas Sofridas. Em uma entrevista na época, o vocalista Marcelo Camelo chegou a definir o som da banda como “melocore”, uma alusão ao hardcore melódico. Alguma referência? Posteriormente a banda ganhou ares intelectuais, deixou de fazer rock e virou uma versão contemporânea, ou uma tentativa ruim, de Chico Buarque. E o fim todos conhecemos.

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Danilo Ruffus
Jornalista, fadigado e resmungão. Sofre da síndrome do underground, acredita no apocalipse zumbi e ainda brinca de ter banda de rock.

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