Confira o que rolou no Planeta Rock e a nossa entrevista exclusiva com o CPM 22

Um final de semana de muito Rock’n’Roll! Mais de 12 horas de muita música com bandas que são lendas do cenário nacional e as que estão procurando o seu espaço musical: assim podemos definir o Planeta Rock 2017, realizado nos dias 11 e 12 de agosto, no Recinto de Exposições de São José do Rio Preto.

Durante o evento, o público conferiu a apresentação de 15 bandas que mostraram suas músicas autorais e buscavam uma vaga para a final do Concurso de Bandas. As cinco escolhidas pelo júri voltaram ao palco no sábado para serem avaliadas e, em uma disputa acirrada, a banda Chá de Lua (São José do Rio Preto) se consagrou vencedora e faturou o prêmio de R$6 mil reais.

A banda Cerveza de Litro – uma das participantes do concurso –, formada pelos integrantes André (guitarra e vocal), Rafael (guitarra e viola), Marcos (bateria) e Lúcio (baixo), bateu um papo com a nossa equipe e ressaltou a importância de festivais como o Planeta Rock.

“O Planeta Rock é o maior festival em que já participamos e toda a oportunidade que tem de mostrar o som, a gente apresenta, principalmente por ter uma pegada do country, a música caipira brasileira e o punk rock.”

Os Paralamas do Sucesso e a Urbana Legion abrilhantaram o primeiro dia do evento. Hebert Viana, Bi Ribeiro e João Barone trouxeram para o palco os maiores sucessos em uma apresentação emocionante e nostálgica. As letras inesquecíveis de Renato Russo também não poderiam ficar de fora do festival. A Urbana Legion representou muito bem em um tributo para ficar na história. O Tipzine entrevistou a banda e você pode conferir aqui.

No segundo dia de evento, a grade de programação era de tirar o chapéu. Dado Villa Lobos, CPM 22, a final do concurso de bandas, Humberto Gessinger, Skank e, para fechar com chave de ouro, O Rappa. A expectativa era grande para esse dia e o recinto estava lotado com pessoas de diversas cidades da região.

O CPM 22 trouxe para o palco, além dos grandes sucessos, algumas músicas no novo projeto, Suor e Sacrifício. A conexão entre os membros da banda com o público era nítido e todas as músicas eram cantadas em “coro”.

Tivemos a oportunidade de bater um papo com o Badauí (vocalista) e com o Fê (guitarrista) logo após o show, confere aí:

Tipzine: Após 22 anos de carreira, como funciona para vocês trazer para o show um CD todo novo como o Suor e Sacrifício? Como vocês fazem para apresentá-lo ao mesmo tempo que os fãs cobram os maiores sucessos da banda?

Badauí: Eu, quando gosto de uma banda, vou atrás do último projeto que eles lançaram. Mesmo não decorando todas as letras, você vai querer ouvir as músicas novas porque é uma outra roupagem, principalmente quando já foi no show da banda. O show é um momento de confraternização e a gente tem grandes singles lançados ao longo desses anos, é natural as pessoas pedirem os sucessos antigos.

Fê: Eu acredito que o novo projeto Suor e Sacrifício, daqui uns anos, estará entre os três melhores discos da carreira do CPM 22. A aceitação de quem acompanha a banda tem sido muito boa com relação a esse disco, dizendo que este é o ponto alto da nossa carreira.

T: No cenário do hardcore, é comum as bandas se posicionarem politicamente. O Dead Fish é o maior exemplo disso. O CPM nunca foi uma banda com esse viés, a que vocês atribuem isso?

L: Na verdade, a gente, como pessoa, tem uma posição, mas cada uma tem a sua. O CPM está sempre do lado do povo, porque a gente não foi criado em família de classe alta. Todo mundo que é inimigo do povo, a banda não vai ter apego por essa pessoa.  

F: A postura de um artista não vem somente do que ele fala nas músicas, o nosso novo disco é o exemplo disso, porque ele está um pouco mais político claramente. A gente nunca deu nome aos bois, mas o artista, ele é formado no que ele faz, não somente em entrevistas e discos, mas também na sua postura.

T: Há uns 15 anos atrás, mais ou menos, numa entrevista para a MTV, o Chorão disse que apostava em vocês como novo nome para mudar a cena do rock nacional. Na época, vocês ainda estavam na cena independente. Hoje vocês possuem algum nome em mente que acreditam que vá movimentar a cena assim como vocês fizeram lá atrás?

B: Acredito que tem bastante bandas boas que estão surgindo. A Pense, de Belo Horizonte, é uma delas. Tem muitas com um discurso interessante, diferente do que era falado no final dos anos 2000.

F: Tem muita coisa rolando. A questão é que o rock está fora da grande mídia, mas se você for pesquisar, você encontra muita coisa boa. Apesar de não estar em evidência, o rock tem seu lugar.

Humberto Gessinger trouxe sua nova turnê para o palco do Planeta Rock, Desde aquela noite – uma homenagem aos 30 anos do disco A Revolta dos Dândis. Com músicas desde a época em que era vocalista do Engenheiros do Hawaii e músicas da sua carreira solo, o cantor e compositor realizou um show emocionante.

Skank foi Skank. O palco foi cenário das mais belas canções interpretas por Samuel Rosa. O vocalista aproveitou o espaço e deixou o público emocionado com seu discurso sobre o cenário musical atualmente no Brasil.

“Nesse filão musical brasileiro muito importante, foi dele que vieram tantas grandes músicas, tantas canções, grandes letras, artistas e pensadores brasileiros, que eu diria Renato Russo, Cazuza, Hebert Viana. Eu queria que vocês soubessem que tem um sabor especial, uma conotação especial subir nesse palco hoje e ver que a gente ainda respira festivais como este. Eu não quero discutir, ainda mais com esse Brasil que se mostra tão intransigente, tão careta, tão retrógrado. Não é questão de discutir qualidade musical, mas eu tenho certeza que esse segmento do qual o Skank honrosamente faz parte, seguirá dando muitas coisas legais. (…) O melhor de tudo é que hoje a gente pode ter um projeto híbrido, onde bandas já conhecidas se misturam aqui com grandes novos valores e que tocam pelo Brasil afora e encontram certa dificuldade. (…) Tamanha ditadura que se instalou no Brasil, tanto na política quanto na música com coisas ruins, caretas, rasteiras e sem dignidade. É o que eu penso”.

Possivelmente, o show mais aguardado do festival era do grupo O Rappa. Anunciado, recentemente, que encerrariam a carreira, Falcão e sua turma podem ter se apresentado pela última vez em um palco da região. Mesmo após tantas horas de evento, o público, sem dúvidas, passou toda sua energia para o palco e foram retribuídos pelas canções e pelo respeito da banda.

Letícia Minutti
Jornalista. Geminiana. Apaixonada pela vida e fã do Latino nas horas vagas. Não importa o que aconteça, ria, mesmo que seja de nervoso. Se nada der certo? Segue o baile. E se der certo? Continua seguindo o baile.

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