A crítica por trás das propagandas

O mundo está ficando chato. As pessoas acreditam que são críticas o suficiente para atacar ou difamar algum tipo de comunidade ou pessoas. É fácil julgar quando se está atrás de um computador. É fácil julgar quando você acredita que só exista uma ideologia.

O mundo está mudando. Todos estão mudando, mas a notícia ruim é que uma grande parcela da população está regredindo e, muitas vezes, é possível se sentir presa (o) no século passado. Você não precisa aceitar ou entender, você precisa respeitar. Respeitar a opinião alheia, a opção sexual alheia, a cor de pele alheia, o modo de viver alheio. Não cabe você julgar ou condenar essas pessoas que escolheram um estilo de vida diferente do seu.

Imagina se fôssemos todos iguais? Antes de imaginar isso, prefiro que aconteça um apocalipse. Recentemente, duas marcas famosas e uma emissora de televisão estão jogando na cara (bem estilo Anitta e Pablo Vittar) da família tradicional brasileira que as coisas não são do jeito que elas querem e pregam o tempo inteiro.

A primeira marca, vamos chamar de X (Avon), lançou um vídeo falando sobre como o elogio “princesa” é visto por meninas de diferentes estereótipos e lançou o slogan #RepenseOElogio. O problema não está em chamar uma menina de princesa, o problema é o que essa palavra expressa. Geralmente as princesas são frágeis, não buscam seus ideais, ficam à espera do príncipe encantado e possuem um estilo de beleza único: cabelo liso, olhos claros, corpo perfeito. Vocês já pararam para refletir que milhares de meninas podem desenvolver inúmeros distúrbios por acharem que não se encaixam no quesito “princesa”? Não existe problema em chamar uma menina de princesa, desde que fique claro que, além disso, ela pode ser quem ela quiser, do jeito que achar melhor e o principal: com as suas características.

A Disney vem mudando aos poucos as princesas. Começamos com Elza e Ana (Frozen) – no final, não é o amor do príncipe que salva (como sempre), é o amor entre irmãs. Moana, depois da Bela, se tornou minha princesa preferida. Ela é independente, desbrava o mar para salvar sua ilha e o principal: não tem príncipe. Mulan e A Princesa e o Sapo também são outros exemplos de princesas guerreiras.

A segunda marca, vamos chamar de Y (OMO), fez uma propaganda mostrando que os brinquedos não podem ser distintos para meninos e meninas. Os brinquedos são iguais para todos e futuramente eles saberão o que querem ser.

Vocês conhecem a Liv? Se não, aproveitem a oportunidade. Uma garotinha que fez um vídeo incrível sobre o assunto. Lembrando que ela tem muito mais maturidade que muitas pessoas por aí. “Não existe brinquedo de menina ou de menino. É de criança”.

A emissora de televisão, vamos chamar de (Globo), em sua novela das nove, está mostrando uma personagem transgênero – não sabe o que é? Dá um Google. Durante muitas cenas, foi possível sentir o sofrimento de Ivana – que agora é Ivan – em se sentir homem preso em um corpo feminino. Se for confuso para você, imagina para uma pessoa que não acredita que pertence àquele corpo? A transição do feminino para o masculino, a falta de apoio familiar, o julgamento público e a falta de respeito, tudo está tão presente no dia a dia dessas pessoas que o que a novela mostrou foi pouco.

Depois desse resumo, vamos aos relatos. É triste ver comentários da internet e vídeos de pessoas que se acham youtuber – vamos chamar de Jonathan Nemer – atacando propagandas e cenas como essas. São tantos ataques sem fundamento nenhum, com base que “Deus fez o homem e a mulher”, “quem nasceu com piriquita é menina e quem nasceu com pipi é menino” e todo aquele blá blá blá de gente retrógrada e que, querendo ou não, é formadora de opinião.

Penso muito em ser mãe, mas ultimamente penso mais ainda se quero colocar uma criança nesse mundo onde não há empatia, sororidade, amor, compaixão e, principalmente, respeito às diferenças do próximo. Você pode não compreender a minha opinião e eu a sua, mas para isso que existem (que estão morrendo aos poucos) os debates. Para formar uma opinião, antes de tudo, você precisa entender o assunto, buscar informações e dados sobre o que anda acontecendo. É muito fácil falar que Deus vai julgar, mas o pouco que eu sei Deus não julga ninguém. Você julga, suas atitudes julgam e machucam as pessoas que todos os dias lutam por direitos e, novamente, por respeito.

O respeito com o próximo deveria ter nas aulas escolares – uma matéria obrigatória. Ensinar que o seu coleguinha da classe não é igual a você. Outro dia, refletindo sobre o assunto, percebi que a ingenuidade ainda existe dentro do coração das crianças. Sabe por quê? Meu irmão de nove anos tem uma melhor amiga na escola. Os dois são tipo “irmãos”. Ela adora jogar futebol e meu irmão não. E para ele isso não é um problema. Inclusive, ele acha incrível a habilidade dela com a bola e nunca disse “você não pode brincar disso, é coisa de menino”.

Deu pra entender que o preconceito e a maldade estão dentro de você? Não é fácil desconstruir os conceitos culturais, mas também (espero) não é impossível.

Letícia Minutti

Jornalista. Geminiana. Apaixonada pela vida e fã do Latino nas horas vagas. Não importa o que aconteça, ria, mesmo que seja de nervoso. Se nada der certo? Segue o baile. E se der certo? Continua seguindo o baile.

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