Dark – A questão não é se você deve assistir, mas quando

A primeira produção Original Netflix de origem alemã não poderia ter apresentado um melhor desempenho em sua estreia na plataforma, no dia 1º de dezembro. Trazendo um trabalho de sonoplastia realmente impecável, uma montagem de cenas matemática e minuciosa, o pacato município industrial de Winden te envolve em uma narrativa primorosa sobre viagem no tempo que abrange drama familiar, suspense, ficção, ciência e muitos mistérios a serem resolvidos.

Apesar de ter sido prematuramente vendida como uma versão adulta de Stranger Things, Dark chega ao público apresentando o estilo alemão de maneira sensata: exigindo bem mais atenção do público do que estamos acostumados a dedicar enquanto assistimos algo, mas, que ao mesmo tempo não menospreza a inteligência do espectador, trazendo os detalhes de maneira criativa e didática sempre que possível, principalmente com a montagem de cenas que se divide e se sequencia em diversos pontos da série, auxiliando na compreensão da narrativa.

A série conta a história de Winden, uma cidadezinha alemã onde basicamente a única atividade local possível é sediar uma usina de energia nuclear que atualmente está sendo desativada. O público logo é apresentado a diversos personagens de alguns grupos familiares dessa cidade que estão sempre interligados entre si de alguma forma. Outro ponto que precisa ser defendido sobre essa série é a abordagem que eles trazem sobre a viagem no tempo, trazendo muito o conceito exemplificado por Albert Einstein que diz que “A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”, ou seja, apresentando o tempo como algo cíclico, que acontece ao mesmo tempo.

O trabalho de câmera realizado, tanto na montagem, quanto na fotografia da série, sem sombra de dúvida são magníficos e acabam tornando tátil a qualidade técnica apresentada com cenas que realmente contemplam o público, trabalhando com inúmeros ângulos, planos e diferentes lentes, sempre com foco total na ambientação surreal que nos é apresentada. Um ponto que gerou desavenças no público foi quanto ao ritmo da história, que acabou soando como lento para uma parcela dos assinantes, mas essa estranheza realmente é uma característica da produção alemã, que não chega a ser necessariamente lenta mas que abusa da contemplação do seu público imerso em um suspense seco para criar a sua atmosfera singular.

A narrativa não é tão marcante apenas pela sua força única, mas também pelo apoio que ela recebe constantemente de diversos outros pontos técnicos do show, como a montagem, que já foi citada, a linearidade da história, a fotografia que não poderia resultar em nada menos do que a total imersão do público e, sem sombra de dúvidas a sonoplastia, que por sua vez merece total destaque nesta produção. O som aqui utilizado é ousado e meticuloso, conseguindo provocar emoções de uma forma completamente surpreendente, e muitas vezes trabalhando de forma independente quanto ao restante da série, transgredindo cenas e carregando transições.

Dark já está renovada para a sua segunda temporada e o primeiro ano da série está inteiramente disponível no serviço de streaming com dez episódios de em média 50 minutos cada.

 

Influenciadora analógica, 25 invernos.
Fingo que desenho, pensam que escrevo, mas no fim eu só bebo (enquanto assisto séries).
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

Comments

comments

, , ,
Jôicy Franco

About Jôicy Franco

Influenciadora analógica, 25 invernos. Fingo que desenho, pensam que escrevo, mas no fim eu só bebo (enquanto assisto séries). Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.
View all posts by Jôicy Franco →