Descascar mais e desembalar menos

Eu sou bem adepta da “baixa gastronomia” que é o que chamamos de comida de verdade, aquela do dia a dia, da rua, das marmitas e dos quilos Brasil afora, e isso exclui automaticamente os fast e junkie foods, porque quando digo comida de verdade, é aquela que saiu da terra e foi para a panela. Não que eu seja contra a comida congelada, afinal, eu sou uma adulta no século XXI, e como moro sozinha, de vez em quando, preciso recorrer aos congelados. Mas isso tem mudado e muito, e explico.

Há pouco mais de duas semanas, entrei de cabeça em duas propostas alimentares: Jejum Intermitente e cardápio Low Carb High Fat. Resumindo rapidamente: o primeiro é o jejum por um longo intervalo (no meu caso de 14h, no mínimo), como forma de fortalecer o organismo através de uma constante renovação celular. E o segundo é a redução da ingestão de carboidratos, porém, com a rica ingestão de gorduras boas, de origem animal e vegetal.

E o que eu mais aprendi com essa transformação alimentar? A comer de verdade.

Isso mesmo, reaprendi a comer valorizando o ingrediente in natura. Nesses 21 dias, me dediquei a descascar muito mais do que desembalar os alimentos. Optei por alimentos crus ou mais próximos o possível do seu natural. E além de ter economizado, porque sim, é muito mais barato passar no hortifruti do que nos congelados, tive refeições cheias de nutrientes, cores, sabores e aromas. Lembrei de todas as vezes que comi legumes e verduras fresquinhos da horta dos meus avós, do cheiro de comida fresca, de comida de verdade. Quantas crianças vivem essa realidade de comer vegetais frescos ao invés de se entupir de comida congelada e fast-food?

O tempo, ou a falta dele, está nos fazendo esquecer das nossas prioridades, principalmente alimentares  – e alimentar-se bem é essencial para manter todo o nosso corpo funcionando bem. Eu sei que esperar a humanidade plantar e colher seu próprio alimento é utopia, mas esperar que as pessoas escolham e prepararem os alimentos frescos é só uma questão de vencer a preguiça.

Deixo aqui o meu apelo: descasquem mais e desembalem menos.

Aquele episódio do seriado vai esperar, com meia horinha do dia você consegue preparar uma salada de folhas para a semana toda e ainda deixa os legumes do almoço prontinhos. Se a gente tiver preguiça de preparar a própria comida, que tipo de pessoas seremos em alguns anos? Pessoas que não se alimentam, que simplesmente comem por comer. E além de doentes, vamos aos poucos, nos esquecer até do cheirinho de alho fritando na panela. E, definitivamente, eu não quero ser esse tipo de pessoa, e você?

Mariana Nogueira

Chef por formação, Social Media por destino e colecionadora de aprendizados. Acredita que a vida só faz sentido se tiver o nosso tempero.

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