Ela e eu

Ela é o medo

Eu sou o segredo

Ela gosta do canto

Eu já chego no meio

Amo a luz

Ela, sem ela, se conduz

Eu me atrevo

Ela desvia

Ela quente

Eu, uma porcelana fria

Eu tento

Ela some

Eu chego de canto, no canto

Ela, apenas com um olhar, me encanta

Eu fico louco, pulo e canto

Ela bebe, segura o copo e me beija de canto.

Eu falo “A”,

Ela, o alfabeto inteiro.

Brigar com ela, eu nem me atrevo.

Ela é requintada,

Eu sou uma piada.

Ela é o ninho,

Se deixar, eu me perco no meio do caminho.

Ela esquenta,

Eu esfrio.

Ela bebe,

Eu fumo meu cigarro,

E quando ela olha, acha maior barato.

Ela é fortaleza, beleza,

Eu sou a tristeza.

As vezes sou palhaço,

E quando sorri, o gesto dela é pegar no meu braço.

Eu não espero, faço,

Quando dá merda, ela me espera com um abraço.

Abraço que me encaixo, me enlaço e me desfaço.

Ela se perde.

Eu ajudo, se ela pergunta: “O que eu faço?”.

Ela é liberdade.

Eu, apenas um covarde.

Só que ela se entrega tarde.

Eu me jogo no primeiro passo.

Eu vou.

Ela fica.

Aquele frio na espinha.

E eu, com uma calma de monge,

Apenas te observo de longe.

João Vitor
Louco, eu? Vocês que são muito normais.

Comments

comments

About the Author

João Vitor
João Vitor
Louco, eu? Vocês que são muito normais.