A empatia literária nossa de cada nova leitura

Não é difícil encontrar um bom motivo para ler um livro. É por meio da leitura que um leque de possibilidades é instantaneamente aberto a quem de fato se dedica a esses momentos ora prazerosos, ora divertidos, ora emocionantes. Por outro lado, é ainda mais fácil encontrar motivos para não começar a ler ou para abandonar um livro.

Gostar ou não de uma obra depende de inúmeros fatores. Mas, diante do universo de justificativas que podem surgir, vou restringir um breve comentário à empatia literária. Essa característica de identificar-se com determinada situação do enredo, de entender as entrelinhas de um contexto aparentemente simples e ir além do que é proposto naquelas páginas. Esses fatores variam de acordo com a capacidade de construção da narrativa do autor e o nível de experiência do leitor.

Por vezes, a trama, a linguagem, os fatos, podem ser claros como a luz do dia e não fazer nenhum sentido para algumas pessoas. Isso distancia o leitor do livro. É essa identificação e empatia que, às vezes, faltam nos clássicos da literatura e sobram nos best-sellers.

Faulkner, Dostoievski, Machado de Assis, Graciliano Ramos, entre outros grandes autores, parecem estarem em um mundo distante da realidade atual. Deslocados no tempo, no espaço, na própria narrativa. São, certamente, universais por irem além do que rodeia seus personagens, de suas datas, de seus costumes regionais. Eles atingem diretamente o cerne da alma humana.

No entanto, a um jovem leitor iniciante na curiosidade por descobrir o mundo mágico da leitura, falta a empatia literária com uma obra escolhida. Eis aqui, portanto, mais um manifesto em defesa de qualquer forma de literatura, de qualquer manifestação que seja capaz de transportar o indivíduo para além da própria realidade. Para uns, baixa literatura em contrapartida à alta literatura. Na verdade, qualquer que seja o livro, o importante é o leitor encontrar as respostas para o contexto da própria vida, dos seus dilemas, da sua satisfação.

Nelio Barbosa

Nélio Barbosa está jornalista. Amanhã pode ser herói brasileiro, craque do Flamengo ou mais um esquecível cidadão. Gosta de livros, histórias em quadrinhos e rir. Tem alergia a endorfina, passa um tanto longe de álcool e já foi fã do Wesley Safadão. Mora em Uberlândia, mestrando em Comunicação e repórter do jornal Correio de Uberlândia. No TipZine, foi convidado para escrever crônicas e sobre literatura às segundas-feiras.

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Nélio Barbosa está jornalista. Amanhã pode ser herói brasileiro, craque do Flamengo ou mais um esquecível cidadão. Gosta de livros, histórias em quadrinhos e rir. Tem alergia a endorfina, passa um tanto longe de álcool e já foi fã do Wesley Safadão. Mora em Uberlândia, mestrando em Comunicação e repórter do jornal Correio de Uberlândia. No TipZine, foi convidado para escrever crônicas e sobre literatura às segundas-feiras.