Empoderando sua princesinha desde cedo

O Era uma vez… nunca mais vai ser o mesmo com o novo livro de Elena Favilli e Francesca Cavallo chamado Good Nights Stories for Rebel Girls (História de ninar para garotas rebeldes – traduzindo livremente para o português) lançado nesse ano com histórias de mulheres que lutaram para serem reconhecidas e passando por cima de inúmeros preconceitos.

E se você pensa que vai ouvir histórias sobre Branca de Neve, Cinderela ou Bela Adormecida dando alguma lição de moral para os príncipes e desmitificando pré-conceitos em que elas foram retratadas na época, você está redondamente enganado(a). O livro conta a história de 100 mulheres importantes na nossa História, no passado e no presente. E mais, a obra ainda conta com ilustrações feitas por mais de 100 artistas mulheres do mundo todo, inclusive uma ilustradora brasileira.

(Reprodução: Kickstarter)

Livro é feito 100% por mulheres, desde a contação, histórias e ilustração.

De acordo com o site Kickstarter, que vende o livro, as histórias das mulheres retratadas nos livros serão contadas em forma de contos de fadas. Sim, com aquele Era uma vez e no final, ao invés do feliz para sempre, as autoras finalizam com informações importantes sobre o feito dessas mulheres para a sociedade, seja cultura, pesquisas, esportes.

Aqui tem um trecho da história de Frida Khalo, para mostrar melhor para vocês sobre como é a narrativa:

(Reprodução: Kickstarter – Ilustração Helena Moraes Soares)

Com a linguagem dos contos de fada, a história de Frida Khalo é contada sem deixar de lado a sua superação.

O trecho em inglês narra o começo da história da artista mexicana Frida Khalo, que aos seis anos contraiu a poliomielite, que a deixou de cama por seis meses. O livro também traz informações de como ela se interessou pela pintura – que foi uma bela terapia enquanto estava de cama – e sua contribuição para as artes (o que foi até uma novidade para mim), deixando cerca de 140 pinturas, sendo 55 auto-retratos (ou selfie, se preferir).

As autoras ressaltam que o livro não vai ser apenas uma oportunidade para inspirar as meninas desde criança a viverem grandes aventuras inspiradas nessas mulheres que foram totalmente contra a corrente de suas histórias, mas também uma forma de ter em sua estante um livro feito 100% por mulheres do mundo todo.

Contra a corrente de suas histórias? Como assim?

É importante ressaltar que os livros infantis sempre trazem um tipo de narrativa conhecido por todos nós e contados há mais de três séculos: a princesa indefesa que sempre vai estar à espera de um príncipe herói, homem, para salvá-la.

Nesse caso, as autoras mostram que foram muito a frente de seu tempo. As irmãs Brontë, por exemplo, que escreveram clássicos como Jane Eyre (Charlotte Brontë) e O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë), contaram com a própria sorte para se tornarem escritoras em uma época totalmente sexista e que a literatura era totalmente formada por homens. Inclusive, no primeiro volume de poesias escrito pelas irmãs elas usaram pseudônimos masculinos.

E não é apenas na literatura que as mulheres vêm ganhando espaço. Mais recentemente temos Serena Williams, a tenista número 1 que vocês devem ter visto recentemente sua derrota no campeonato Roland Garros, na França. Mas o que importa é que sua história é realmente cativante ao ser retratado no livro Favilli e Cavallo.

A tenista norte-americana, junto com a irmã Venus Williams, se destacou no tênis ainda na infância sendo incentivada pelo próprio pai. O que chama a atenção na história é que elas cresceram em um bairro nos EUA muito violento e pobre, mesmo assim encontraram apoio da população para realizarem os seus sonhos.

Compará-las entre um século e outro traz uma longa discussão. Engana-se quem acha que as irmãs Brontë tiveram um caminho fácil para serem grandes escritoras, pois elas viveram sob a pressão da mulher submissa, de ter um bom casamento e tantas outras formas de não serem livres de seus ideais em pleno século XIX.

Ainda sim, no caso de Serena Williams, é mais do que vir de um lugar perigoso em que ela poderia facilmente desviar desse caminho de sucesso, é mostrar que a mulher (aliás, as mulheres) pode sim conquistar o seu espaço independente de onde veio. E mais: ela não apenas vence o preconceito de ser mulher, vence também o racismo que ainda é empregado em todo o mundo.

Enfim, vamos ao que interessa, o livro está disponível em um site de financiamento coletivo, o Kickstarter, porém, ainda não há previsão do livro chegar em uma versão traduzida para português, mas isso é uma possibilidade próxima.

Além disso, ao comprar pelo site de financiamento coletivo, você também estará ajudando diversos projetos sociais propostos pelas autoras e também receber brindes exclusivos.

Ariane Godoi

Jornalista, contadora e criadora de histórias. Apaixonada por literatura, The Beatles, karaokê, lasanha e pavê. Curte aquela tarde preguiçosa assistindo séries na Netflix, tocando em um violão desafinado ou observando seus amigos como inspirações para possíveis personagens (por isso que ela só escreve comédias).

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