Escolas cervejeiras: Belga

Eles misturam de tudo e a gente adora!

Vamos à nossa aulinha de hoje.

Enquanto os monges avançavam o conhecimento cervejeiro, o crescimento das cidades incentivou o surgimento de cervejarias em escala industrial. Algumas seguiam o padrão das cervejas de abadia, enquanto outras mantiveram as técnicas de fermentação espontânea em tanques abertos. Aos poucos, foi tomando forma o que hoje chamamos de Escola Belga.

Muitos chamam a Bélgica de “paraíso cervejeiro”. Este título é merecido, pois, apesar do do seu tamanho territorial ser menor que o estado de Alagoas, o país conta com quase duzentas cervejarias.

 

Witbier 

 Witbier é a cerveja de trigo da Bélgica. Seu nome significa “Cerveja Branca”, em neerlandês e, por pouco, este estilo não foi extinto. Essas cervejas eram muito populares na região de Hoegaarden desde a Idade Média. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, quase todas as produtoras locais deste estilo foram destruídas. A última sobrevivente fechou as portas em 1957. Dez anos depois, um leiteiro chamado Pierre Celis, que cresceu ao lado desta cervejaria e, às vezes, ajudava na produção, resolveu investir na produção do estilo.

 

Estilos Trapistas

Não se pode falar em escola belga sem mencionar as famosas cervejas Trapistas. A Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância é apelidada de Trapista, pois a congregação foi fundada na França – não confundir com a cerveja trapista La Trappe, produzida na Holanda.

As Flanders Red Ale são cervejas tradicionais da região de Flandres. Em sua produção, parte delas passa por extenso envelhecimento – chegando, por vezes, a 18 meses – em grandes dornas de carvalho, o que atribui um caráter acético à bebida, lembrando vinagre balsâmico devido à ação de bactérias. Essa cerveja envelhecida é misturada com uma parcela de cerveja “nova”, o que equilibra os aromas e gostos do conjunto.

 

Saison

Seu nome vem da palavra “estação”, em Francês. Trata-se de uma cerveja tradicionalmente produzida no fim das estações mais frias para ser apreciada pelos camponeses nos dias quentes de trabalho na lavoura. Em geral, são cervejas cuja cor vai do dourado ao âmbar, com grande formação de espuma e com aromas complexos com notas cítricas, condimentadas e terrosas. Seu baixo corpo e alta carbonatação torna as Saison cervejas muito refrescantes, porém, o teor alcoólico pode variar bastante – as receitas antigas tinham por volta de 3,5% para não inebriar os trabalhadores rurais, mas também existem versões com mais de 8%.

 

Lambics

A família Lambic engloba diferentes estilos produzidos através de fermentação espontânea, ou seja, as cervejas Lambic são fermentadas através da ação de leveduras presentes no ar ao invés de serem inoculadas com variedades selecionadas, como é prática comum nas Ales e Lagers. Por conta disso, sua produção é delicada e feita tradicionalmente entre os dias 29 de setembro (Dia de São Miguel) e 23 de abril (Dia de São Jorge), quando as temperaturas estão mais amenas na Bélgica, evitando contaminações. O resultado são cervejas efervescentes, de caráter ácido e com notas aromáticas rústicas que remetem à couro e feno. Por vezes, contam com adição de frutas como cerejas (Kriek), blends de Lambic nova com Lambic envelhecida (Gueuze) ou então têm adição de açúcar (Faro). Independente da variação, todas representam a tradição cervejeira da Bélgica e merecem fazer parte do repertório de quem curte cerveja.

As cervejas belgas são apreciadas em todo o mundo. Algumas delas, inclusive, chegam a ser consideradas as melhores do mundo. As cervejas complexas e de perfil frutado, muitas vezes, são porta de entrada para o mundo das cervejas artesanais – principalmente para quem gosta de vinho, no caso dos estilos mais alcoólicos e com paladar seco.

E lembre-se! Se for beber, cuidado com a cabra!

Daiane Oliveira

Jornalista, apaixonada por rock & roll e Sommelier de Cervejas

Comments

comments

, ,
Daiane Oliveira

About Daiane Oliveira

Jornalista, apaixonada por rock & roll e Sommelier de Cervejas
View all posts by Daiane Oliveira →