Espere pelo meu café

 

Deixei a porta entreaberta e mesmo assim você se sentiu à vontade para entrar.

Tinha um café requentado e mesmo assim você quis tomar, disse que estava bom.

Eu sei que não estava.

Eu estava de cabelo preso e não fiz cerimônia quando você entrou. Te convidei para sentar à mesa comigo e quis ver o que trazia na bagagem antes mesmo de olhar para o seu belo rosto.

Quis olhar primeiro o que tinha para me contar da vida. Antes eu tinha deixado a porta aberta, feito café fresquinho, e quem se sentou à mesa não trazia nada nas mãos além de pedras que ficaram no meu caminho – quando se levantou e saiu, após tomar todo o meu café e levar tudo que eu tinha de melhor para oferecer.

Fiquei sem café por um bom tempo, e com a porta fechada.

Para falar a verdade, foi o vento que a abriu dessa vez e deixou apenas uma fresta; o suficiente para você se sentir convidado.

Por isso, me desculpe pelo café ruim e meu jeito desarrumado, eu não esperava por você.

Você foi ficando e, sem eu perceber, já estava de cabelo solto, me dei conta que tinha feito um bom café quando queimei o dedo e você assoprou rindo do meu jeito desastrado.

Você me viu além da aparência e quis ficar mesmo sem ter o aconchego que esperava.

Não estou te punindo por quem esteve aqui antes de você chegar.

Apenas peço que entenda que não sou mais a mesma, tenho as cicatrizes que as pedras deixaram nos meus pés, por isso demoro um pouco para chegar até você.

Mas espero que me mostre que nas mãos não tem nada além do meu chocolate favorito e algumas flores roubadas do vizinho.

Me mostre que você merece meu tempo, meu dia mais bonito e o meu melhor café.

Caroline Carvalho

Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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