EU NPC

Os games estão prestes a passar por uma revolução em sua forma de narrativa. Hoje, o que temos como padrão são narrativas pré-definidas, onde o jogador, apesar da sensação de poder escolher suas ações, segue um roteiro. Ou seja, tudo no decorrer do game foi pensado e planejado, passando essa sensação de livre arbítrio. O improvável é mais provável do que imaginamos.

Mas isso está próximo de mudar. Com a evolução das IA (Inteligências Artificiais), os games tendem a focar mais nos personagens, deixando a narrativa livre para que o próprio jogador a construa, em uma equação de interações entre ação e consequência.

É o que temos, ainda que bem superficial e timidamente, em jogos como GTA, Watch Dogs e etc. Cada vez mais os estúdios buscam criar mundos orgânicos e autossuficientes, onde jogadores são capazes realmente de viverem suas próprias narrativas. E, com certeza, em um futuro bem próximo, os games vão deixar de serem filmes interativos para se tornarem cenários temáticos vivos.

Sim, você pode dizer que já temos isso nos MMORPG, mas eu teria que discordar. Mesmo nos RPGs on-lines, o que vemos ainda são linhas definidas. Apesar dos mundos extensos, você obedece às regras de uma história já definida para ser contada de determinada maneira. E assim sucessivamente com todos os outros jogadores que passarem por ela. Nada foge do esperado.

A minha previsão é que os personagens e contextos terão mais profundidade e autonomia. Ou seja, a forma como você vai interagir com aquele universo está inteiramente em suas mãos. Como nos saudosos RPGs de mesa, os eventos lhe são apresentados e cabe a você escolher como proceder, desencadeando uma série de consequências e relações com o todo que o cerca. E essas consequências e relações provavelmente serão diferentes com outra pessoa.

Acompanhando algumas notícias, creio que no ano que vem começaremos a ter algumas amostras dessa nova forma de jogar como a Ubisoft, que por meio de seu diretor criativo Serge Hascoet em uma entrevista recente, diz:

“I don’t want the player to go through a story created by someone,” said Hascoet. “We have games like that still, but I ask more and more that we let the player write their own story — that they set themselves a long-term goal, identify the opportunities that are open to them and choose not to follow a path that was decided for them.” (confira o restante da entrevista aqui) 

E vocês? O que acham?

Herick Zerunian

Publicitário, nas horas vagas caçador de monstros, assassino de templários, matador de dragões, sobrevivente de apocalipse nuclear. Deus = vida = Bacon.

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