FEUD – Um estudo sobre o veneno hollywoodiano

“Conflitos nunca são sobre ódio, conflitos são sobre dor.”

Pai das antalogias, Ryan Murphy, que dispensa apresentações, ataca novamente com novidade. Feud, que ganhou grande destaque nos últimos dias aparecendo com um caminhão de indicações no Emmy: Melhor Série Limitada, Melhor Atriz em Série Limitada para Jessica Lange e Susan Sarandon, Melhor Atriz Coadjuvante com Judy Davis e Jackie Hoffman e Melhor Ator Coadjuvante para Alfred Molina e Stanley Tucci.

Como de costume, Murphy chega cercado do seu casting, incluindo Sara Paulson, Kathe Bates e, claro, a musa majoritária e já citada, Jessica Lange. A nova série do conhecido produtor tem como premissa abordar, em cada uma das suas temporadas, um grande conflito entre famosos, mas que não ficarão limitados apenas à Hollywood.

Para começar, Ryan traz às telas o lendário impasse entre Bette Davis e Joan Crawford, atrizes símbolo da era de ouro do cinema que protagonizaram o sucesso What Ever Happened to Baby Jane?, de 1962. Suas discussões e inúmeras farpas nunca ficaram limitadas aos bastidores do filme e, por muitas vezes, foram públicas, além de constantemente recheadas de discórdia.

Em uma disputa imparável de egos demasiadamente hollywoodianos, as atrizes competiram por longos anos desde o início de suas carreiras. Com diálogos incrivelmente detalhados e fortes, Ryan Murphy nos traz uma celebração do egocentrismo em diferentes níveis e em uma realidade pouco explorada e apresentada ao público, como a questão dos bastidores e tudo que acontece durante a produção de um filme.

A base do enredo é um documentário gravado em Los Angeles, nos anos 70, a partir de entrevistas de atores e atrizes que trabalharam com Bette e Joan. O cuidado com a pós produção é notável, assim como o conteúdo histórico detalhado de forma exemplar. Entre o machismo e a misoginia, a fortíssima disputa de egos entre as protagonistas ganha forma e ditam o tom da história, recheada de absurdos e vitimismo. No show a Indústria da fofoca também se faz muito presente, sendo ilustrada por Hedda Hopper, ex-atriz que se dedicou ao “jornalismo” após a sua aposentadoria. Hedda ganha vida com perfeição através da atriz Judy Davis, que tal como todo o restante do elenco, entregam um resultado que ganha o público em cada minuto de tela.

O show foi inicialmente pensado para um telefilme, mas a densidade conquistada na trama precisava de mais espaço, e o amplo conhecimento de Murphy do caso deu à produção a confiança para investirem em uma minissérie. O seriado é produzido pelo canal FX e conta com oito episódios de pouco mais de 40 minutos. A segunda temporada já foi confirmada e dessa vez terá dez episódios para tratar do catastrófico relacionamento entre o Príncipe e Princesa de Gales, Charles e Diana.

Confira o trailer:

 

Jôicy Franco
Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos. Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.