Gosto de você, mas te quero longe

Gostaria de dizer que você foi uma das melhores histórias que eu li. Na verdade, posso te simplificar como um conto, levando em consideração a durabilidade dos fatos. Mas me surpreendi pelo jeito que me cativou, de forma instantânea e intensa.
Logo nas primeiras páginas, pude perceber que seria uma dramaturgia inspirada em relatos emocionais de uma garotinha cheia de si, mas com medo do monstro que estava dentro do armário. Criatura essa que ela mesma havia criado. Durante a leitura, um sentimento pouco comum, mas relevante, veio à tona. Esse sentimento partiu de mim, só que envolvia diretamente a personagem da história.

Me deixei levar pelas linhas tortas e complexas. Cada palavra era um enigma que eu conseguia desvendar, mas sempre com algum esforço. Após algumas páginas, o livro começou a ficar interessante e, eu, por consequência, me vi totalmente envolvido. Pude perceber a insegurança da personagem, o medo, a raiva, a incerteza.
Me deixei levar, achando que entenderia todos os sentidos daquilo que estava sendo transmitido. Me enganei. O livro se encerrou de forma drástica, e o que me decepcionou foi o final. Final, esse, estranho, rápido e sem explicação.

Te comparar a um conto é a única maneira que encontro para conseguir expor tudo o que pensei durante esse tempo afastado. Te eternizo em minha memória. Hoje me pego lendo nossas conversas e isso dói. Mas entendi que gosto de você, só prefiro que fique longe de mim. Talvez seu fardo não seja aquilo que eu precise carregar. Seus monstros não serão enfrentados por mim – e eu não posso te dar certeza daquilo que você não tem.

Ter você por perto era reconfortante, tranquilo. Mas te ter longe me ensinou a me ver de novo, a me colocar em primeiro lugar. Gosto de você, mas te quero longe. Não entenda como uma distância quase impossível de se chegar perto, mas uma distância que me dê segurança de que não vou me envolver em meio ao seu furacão de perturbações e loucuras. Uma distância em que eu esteja são, e certo daquilo que seja bom para mim, pois, com você perto, perco todos os sentidos, eu fico bobo.

Lembro de quando me disse que não era responsável pelos meus sentimentos – e não era mesmo. Mas era responsável por me passar aquilo que não era, ou é, só que morre de medo de se mostrar por insegurança de romper essa armadura chamada de frieza.

Não se esqueça: GOSTO DE VOCÊ, MAS TE QUERO LONGE.

João Vitor
Louco, eu? Vocês que são muito normais.

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Louco, eu? Vocês que são muito normais.