A grande arte: viver e interpretar

As mais belas histórias ainda estão para serem escritas. Elas talvez estejam acontecendo neste exato momento e estarão presentes em livros, filmes, causos, músicas, retratadas em um quadro ou somente na memória de seus personagens. Essas narrativas de ficção talvez sejam apenas ideias do que podem vir a ser uma boa trama. Mas, o que faz de uma história contada em qualquer plataforma é sua capacidade de verossimilhança, da harmonia com os fatos das experiências da vida. Por isso, é possível chamar alguns escritores de clássicos, pois eles tratam daquilo que é universal. Eles buscam os dilemas comuns a todos em todos os momentos da difícil aventura de viver.

Ao refletir sobre isso, é necessário tentar compreender quais os limites da literatura, da capacidade de produzir uma ficção ou de representar a vida, por meio da arte. Os mestres das palavras, das letras das belas canções, das artes cênicas, das cores, retas e curvas certamente eram aqueles que souberam encontrar o ponto que ora nos une ou nos separa para, enfim, serem contemplados como itens fundamentais.

É de se suspeitar que as grandes histórias tenham habitado entre nós e se despedido desse mundo junto com seu autor. Como princípio da dúvida, talvez essas grandes narrativas não existam. Entre versos líricos, épicos ou uma prosa robusta e envolvente, se a arte é uma verossimilhança da vida, seria preciso a vida do outro ser grande para o objeto artístico também o ser? E o que seria uma vida que vale a pena ser vivida, conforme a pergunta do filósofo Clóvis de Barros Filho?

Ninguém nasce com resposta alguma. Cada um surge cheio de dúvida e ao longo da vida elas vão se multiplicando. Uma delas é sobre a linha tênue sobre a realidade ou ficção, a experiência ou a sua representação. Nesses contrastes, aos poucos uma luz ao fim do túnel vai surgindo. Por dedução, a grande narrativa, a grande história, pode ser que seja viver e ter consciência dessa grandeza. Se for épico, lírico ou medíocre são outras discussões que mesmo após a passagem do túnel continuarão obscuras diante da perspectiva de cada um.

Na somatória dos silêncios individuais e das incertezas típicas da humanidade de Picasso a Tolstoi, de Bach a Shakespeare, ou de outros contempladores dos elementos universais da natureza humana, os segredos e possíveis respostas talvez estejam escondidos. Sendo grandes ou não, essa é uma perspectiva que cabe a cada um avaliar.

Boa viagem às letras, às notas musicais, aos tratos de pinturas, às performances cênicas, à narrativa cinematográfica ou até mesmo à sua história, à sua vida. Corra! O tempo está se desfazendo agora!

Nelio Barbosa

Nélio Barbosa está jornalista. Amanhã pode ser herói brasileiro, craque do Flamengo ou mais um esquecível cidadão. Gosta de livros, histórias em quadrinhos e rir. Tem alergia a endorfina, passa um tanto longe de álcool e já foi fã do Wesley Safadão. Mora em Uberlândia, mestrando em Comunicação e repórter do jornal Correio de Uberlândia. No TipZine, foi convidado para escrever crônicas e sobre literatura às segundas-feiras.

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Nélio Barbosa está jornalista. Amanhã pode ser herói brasileiro, craque do Flamengo ou mais um esquecível cidadão. Gosta de livros, histórias em quadrinhos e rir. Tem alergia a endorfina, passa um tanto longe de álcool e já foi fã do Wesley Safadão. Mora em Uberlândia, mestrando em Comunicação e repórter do jornal Correio de Uberlândia. No TipZine, foi convidado para escrever crônicas e sobre literatura às segundas-feiras.