Irmãos Cavalera vs. Sepultura, a briga que já está dando sono em muita gente

Sabe aquela fase da vida quando se tem uns 10, 12 anos de idade, e, graças ao excesso de mimo praticado pelos pais, a criança fica com o ego inflado do tamanho do mundo, tornando toda e qualquer censura imposta a ela com uma afronta? Infelizmente, com o passar dos anos, ainda com esse ego inflado – ou do ponto de vista mais crítico, frágil -, o sujeito passa a acreditar que qualquer coisa pode ser uma indireta para ele, e que se um determinado assunto não passou pelo seu crivo, talvez não tenha tanta importância assim.

Perdão, não tenho a intenção de fingir que entendo a psicologia humana, é só uma ironia para explicar o que vem a seguir.

Pois então, no que depender dos irmãos Cavalera, o Sepultura não vai ter uma vida fácil tão cedo. Ao que parece, para Igor e Max, tanto faz a opinião dos fãs sobre os rumos da banda – sim, os mesmos que compram os discos e vão aos shows até hoje -, já que se o Sepultura continua em atividade sem a nobre presença deles, a banda sequer é digna de continuar usando esse nome. Segundo os irmãos, a banda vive às custas das músicas criadas quando eles ainda faziam parte do projeto. Tem cabimento?

Como é grande o ego desses dois, não é mesmo?

Em uma entrevista dada recentemente ao jornal Salt Lake Tribune, os irmãos Cavalera, mais uma vez, cutucaram a ex-banda (justiça seja feita, os próprios jornalistas colocam o assunto em pauta sempre que precisam entrevistar um dos dois). E então, perguntado sobre como enxerga a fase atual da banda e a relação com os integrantes remanescentes, Igor Cavalera disse:

“É negativa porque, a um certo ponto, eu e o Max acreditamos que o que o Sepultura está fazendo não faz sentido atualmente, e com isso vem uma raiva por parte deles. Mas, no fim das contas, a gente não se importa. É o que fazemos. E estamos muito felizes com o que temos agora. Sei que muitos fãs gostam disso indo ver a gente. Sei lá, a vida é muito curta pra ficar bravo, brigar e tudo isso. Então eu não me importo com o que fazem ou não.”

Max, o irmão mais velho, também não poupou os ex-parceiros, em outra entrevista, dessa vez ao site Metal Rules afirmou:

“Tenho certeza que não estão contentes. Mas não ouvi nada deles. Mas há uma coisa que eu queria dizer sobre estes caras. Me mostra uma grande música que eles escreveram desde que eu saí. Dê o nome de um grande álbum que eles gravaram depois. Não vi nenhum. Não sei o nome de nenhuma música tão popular quanto ‘Roots Bloody Roots’. Então isto diz que, independente do que estão fazendo, não sei como continuam, já que parece que não está funcionando. Mas de alguma forma eles continuam tentando. Isto é insano. Mas como dizemos, dane-se. Cansamos de falar sobre uma reunião e nunca quiseram fazer. Então Gloria teve a ideia (da turnê ‘Return To Roots’), e estamos fazendo. Foda-se. Não dou a mínima para o que eles dizem. Estamos tocando e está sendo grandioso. Não nos importamos com o que eles pensam ou fazem. Eles podem falar merda se quiserem. Li uma entrevista onde Andreas disse que é difícil tocar o ‘Roots’. Não, não é. Eu escrevi 70% do disco, não é difícil de tocar não. ‘Schizophrenia’ é difícil, cheio de riffs diferentes”.

Um tanto quanto egocêntrico por parte de Max Cavalera, tendo em vista que boa parte dos seus próprios fãs (tanto no Soulfly quanto no Cavalera Conspiracy) também são fãs do Sepultura e são eles que deveriam avaliar a continuidade do trabalho da banda sem os dois irmãos.

Por parte do Sepultura, recentemente o guitarrista Andreas Kisser não deixou barato as recentes declarações dos irmãos Cavalera, e com um argumento um tanto quanto ad hominem  rebateu:

“Eu simplesmente não me importo. É a opinião dele. Quem se importa? Digo, e daí se ele pensa isto? Muitos pensam do mesmo jeito. E então? Tenho muito orgulho do que conquistamos com o Sepultura, por isto estamos comemorando trinta anos da banda, não apenas quinze ou vinte. Consideramos a carreira completa do Sepultura em nossos shows, onde tocamos músicas de todos os álbuns, independente da formação ou gravadora”.

Ainda sobre a suposta reunião citada por Max, os dois remanescentes da formação original, Paulo Junior e Andreas Kisser, desprezam a ideia – e com certa razão, afinal, seria uma falta de respeito com os outros integrantes e com os fãs, pois ficaria complicado afirmar que a experiência teria outro retorno que não o financeiro -, e Paulo, em uma entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, afirmou:

 “Esse assunto é uma merda, já encheu o saco. Detesto falar disso”.

Obrigado pelas palavras, Paulo. Concordamos inteiramente com você.

Abaixo, você confere um som com a formação original da banda e na sequência a formação atual.

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Danilo Ruffus

Jornalista, fadigado e resmungão. Sofre da síndrome do underground, acredita no apocalipse zumbi e ainda brinca de ter banda de rock.

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