Já tentou segurar água?

Já tentou segurar água nas mãos?

Acho que todo mundo já fez isso, nas brincadeiras com mangueira no quintal, no banho ou para lavar o rosto.

Me diz o quanto dessa água deu pra segurar? Nadinha, não é?!

Todo mundo sabe disso, mas engraçado é que tentamos fazer isso até hoje – sem perceber.

Depois de adulto a gente esquece de coisas que eram óbvias quando criança, e só trocamos a água por pessoas e relações.

Tentamos segurar a “água” nas mãos cada vez que proibimos alguém de fazer algo, ligamos mil vezes para saber onde está ou tentamos controlar cada passo que o outro dá.

Já pensou o que daria para fazer se conseguíssemos segurar a água nas mãos? No máximo tomar um gole, ou regar uma pequena planta. Fazendo qualquer um dos dois a água deixaria de ser nossa em algum momento.

Se não quisermos abrir mão dela não terá problema nenhum, mas também viveremos de mãos atadas.

E que vantagem Maria leva?

Água é feita para ser corrente, água parada dá dengue, apodrece e evapora.

Mãos são feitas para acariciar, apertar e puxar para perto. Se a mão quiser segurar algo, ela fica presa também e perde mais de mil utilidades que teria livre, atrofia.

A vida é movimento, é renovo, a água esquenta, esfria e molda o corpo quando cai de cima.

E ainda assim a gente teima querendo prender, guardar em um potinho só para ter o prazer de olhar quando quiser e ter a falsa segurança de que o que é “nosso” está ali.

Água boa não aceita barreiras, não aceita um copo pra ficar parada; mãos espertas não aceitam se prender a nada, querem apalpar, sentir e descobrir.

Percebe que quando um tenta prender o outro os dois perdem suas funções?

Então deixe para as memórias de infância as tentativas frustradas de tentar segurar algo que não foi feito para se prender.

A chuva só cai quando quer, então deixe que a água venha e vá embora; a gente sabe que não esperar por ela faz ficar mais gostoso quando ela vem.

Caroline Carvalho

Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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