Liberdade a dois

Com esse amigo(a), não.

Com essa roupa, não.

No final de semana, não.

Soa familiar? Quem nunca ouviu isso de um namorado(a) ou alguma história parecida?

Comentários como esses podem parecer engraçadinhos no começo, demonstrações “fofas” de ciúme ou coisa parecida, mas para mim soam como um alerta, um alarme nada discreto.

Algumas pessoas se relacionam e se acham donas do tempo e da vida do outro, querem mudar tudo o que for possível para encaixar aquela pessoa às suas necessidades pessoais, sendo que tem tanta gente nesse mundo por aí. Esse lance de forçar deixa um pouco claro que pode não ser pra mim; e se não for, não tem problema.

Por que tirar de alguém algo que o faz feliz, sorrir e vibrar? Quem disse que sua felicidade tem que estar depositada nas mãos de alguém e que seus melhores momentos só serão ao lado dessa pessoa?

É desgastante querer ser a única coisa boa na vida de alguém, querer ser o centro, o motivo e o respirar.

O esforço vai ser sobre-humano e você vai precisar ser criativo demais, um dia tudo cai na rotina e se esforçar pra ser novidade sempre não dá.

Queira uma pessoa livre para ser livre junto com você, nada é tão bom quanto alguém estar junto porque quer. Sabe vontade? Aquele sentimento genuíno, não precisa explicar, você apenas sente, vai lá e faz.

Prender alguém é como segurar água nas mãos.

Ter a necessidade de posse sobre o outro só mostra que tem algo de muito errado, autoestima, falta de confiança seja lá o que for, não dá.

A linha é tênue entre relacionamentos possessivos e abusivos, pode começar de uma forma sutil e depois se tornar sufocante.

A vida já cobra demais, e ter alguém do lado para fazer a mesma coisa é totalmente dispensável.

Existem mil jargões relacionados a deixar o outro livre e muitos deles têm razão.

Fica simples a partir do momento que nos respeitamos como ser humano, com vontades e desejos individuais, não tirando o brilho de ter uma vida juntos, mas não se esquecendo que são duas pessoas.

Some a sua liberdade a do outro e irão muito mais longe.

Ter o mundo nas mãos e escolher a mesma pessoa para voltar é muito melhor do que ficar preso e pensar no que poderia ter lá fora.

Queira um porto seguro que te deixa navegar e voltar cheio de histórias e saudade.

Alguém para dividir e não pesar, alguém que sorria com as suas conquistas individuais e com os planos que nem sempre poderão incluir você.

Alguém inteiro que não te cobre uma metade que nem ele é capaz de encontrar.

Alguém que tenha mil opções, mas que irá escolher você por um simples motivo: o querer.

Caroline Carvalho
Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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