Macaco Bong e a curiosa regravação de Nevermind

Primeiramente, preciso admitir que essa história de releituras, tributos, covers ou qualquer que seja a palavra nunca foi o meu forte. Existe em mim uma certa resistência –  digamos que até conservadora – que não entende ou aceita muito bem os aplausos recebidos por um músico quando ele reproduz algo que outro artista se dedicou ao máximo para escrever/compor etc.

Mas é importante levar em conta que o maior causador desse meu “problema com música cover” é o próprio público, que, na maior parte das vezes prefere dar atenção a um artista iniciante apenas quando ele toca músicas consagradas e praticamente vira as costas para o palco durante as poucas músicas autorais apresentadas por essa mesma banda.

Mas deixando essa implicância de lado, é necessário lembrar que alguns artistas fazem releituras tão grandiosas – quando não, melhores – que as originais. A versão de Hurt (Nine Inch Nails) é de se fazer chorar quando ouvida na voz de Johnny Cash. E, com todo respeito que o David Bowie merece, a sua música The Man Who Sold The Word alcançou outro patamar na voz de Kurt Cobain, no memorável MTV Unplugged, do Nirvana.

E por falar em Nirvana, vamos ao que interessa; recentemente, a banda teve a sua obra-prima, o disco Nevermind regravado pelos mato-grossense do Macaco Bong.

O Macaco Bong – pra quem não conhece – é uma banda de rock instrumental, post-rock, stoner rock ou o caralho que já tá há algum tempo na estrada e possui alguns bons discos disponíveis nas plataformas onlines.

O último disco, Deixa Quieto (2017) mostrou um lado ousado da banda, pois não é nada fácil você pegar um dos maiores discos de rock de todos os tempos e fazer a sua própria versão dele, e mais, torná-lo diferente do original, quase irreconhecível, mas tão bom quanto.
A banda, por sua vez, faz questão de frisar que não se trata de uma homenagem, e sim de uma reconstrução do disco, que de fato possui novos arranjos e foi sim composto novamente pela banda, mas é impossível desassociar essa ideia de um fã homenageando o ídolo, não dá.
O disco também segue uma nova ordem, diferente do álbum do Nirvana.
01. Smiles Nike Tim Sprite (Smells Like Teen Spirit)
02. Móviaje (On a Plain)
03. Nublum (In Bloom)
04. Briza (Breed)
05. Loló (Polly)
06. Com Easy Ou Uber (Come As You Are)
07. Lírio (Lithium)
08. Drive-in You (Drain You)
09. Salão (Lounge Act)
10. Território Piercing (Territorial Pissings)
11. Longe De Tudo (Stay Away)
12. Somente Whey (Something In The Way)
Ouçam vocês mesmos e tirem suas conclusões:

Danilo Ruffus

Jornalista, fadigado e resmungão. Sofre da síndrome do underground, acredita no apocalipse zumbi e ainda brinca de ter banda de rock.

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