Masterchef – Lasanha e Mignon, básicos e traiçoeiros

Salve, meninada sadia.

Conforme o combinado, estou aqui para comentar com vocês o episódio de ontem do Masterchef. Pra variar, foi tenso.

A prova em grupos foi no ginásio do Ibirabuera, palco de grandes decisões do esporte, sobretudo do vôlei. Os cozinheiros tiveram que preparar lasanha para 200 pessoas, incluindo lendas do vôlei como Virna, Maurício, Paula Pequeno, Fofão, Murilo, Gustavo, Sidão, etc.

As equipes se dividiram exatamente como na última prova em grupo, na vinícola, uns querendo revanche e outros confiando na máxima “em time que está ganhando, não se mexe.”

Ao falar de lasanha, a gente logo pensa naquele almoço de domingo que demora pra sair. E demora porque a lasanha tem processos a serem seguidos. Massa fresca, cozimento, bolonhesa, bechamel (molho branco), ralar queijo, montagem e forno. Imaginem para 200 pessoas… Pois é. Não é tão simples.

A lasanha original tem camadas de massa, molho e recheio, finalizando com um belo queijo parmesão para gratinar. Ela precisa estar suculenta e úmida, mas não pode ser muito molhada pra que não se desmorone na hora de servir.

Um erro cometido pelas duas equipes é ter colocado a carne moída separada do molho vermelho, descaracterizando o tradicional molho bolonhesa. Nenhuma das duas lasanhas estava apetitosa, mas cozinhar pra 200 pessoas não é lá uma tarefa tão simples. Eles pensam mais em entregar uma lasanha decente e completar a prova, do que fazer a lasanha dos sonhos.

A equipe do capitão Abel estava caótica, desorganizada, deixaram de servir 15 convidados. Já a equipe da capitã Deborah fluía perfeitamente, embora Mirian tenha discutido muito com Taíse e Natália.

No fim das contas, numa contagem emocionante de votos, o time de Abel venceu pelo sabor. Justo! Se vamos a um restaurante, queremos ser bem atendidos, que o local seja asseado, que os pratos cheguem corretos e sem demorar, sejam bem apresentados, etc, etc, etc. Se tudo isso for bom, mas a comida estiver ruim… “Tchau e bença”. 

Os vencedores escaparam da prova de eliminação e Deborah, que pôde escolher entre se salvar ou salvar alguém do seu grupo, preferiu subir ao mezanino e garantir mais uma semana… Cá entre nós, se eu tivesse chefiado tão bem quanto ela, teria feito o mesmo.

A prova foi de filet mignon, que precisaria ser servido com o tradicional molho de mostarda, clássico francês, e um acompanhamento.

Eles não tinham receita dada pela produção, como normalmente tem, por motivos óbvios: molho de mostarda é BÁ-SI-CO.

  • Mas, Cadu, não acho básico. Eu não sei fazer! Nunca ouvi falar!
  • Se você quer ganhar o Masterchef, sim, é básico.

Em contrapartida, tiveram uma aula da Paola, rainha das carnes, sobre como preparar um filet mignon ao ponto. Também básico, a aula foi só para dar mais um ingrediente para o reality que, como eu já disse, é mais show do que culinária.

Você deve estar pensando: “Bem que o Cadu poderia passar a receita do molho de mostarda, né?”

Oi? Você não pensou isso? Mas, ah, vou passar mesmo assim e depois termino de contar o que rolou na prova.

Para 4 pessoas: na panela que selou o filet mignon (regando com com manteiga, tomilho e alho) sobrará uma borra cheia de sabor, faça um deglacê (técnica de desgrudar o fundo da frigideira com um ácido ou álcool) – eu costumo usar conhaque ou vinho branco, duas doses. Deixe o álcool evaporar, entre com 300ml de creme de leite fresco e deixe reduzir até ganhar consistência de molho. Acrescente 2 colheres de mostarda dijon l’ancienne (à antiga, ou seja, ainda com grãos) e 2 colheres da mostarda amarela comum. Encorpore, tempere com sal, pimenta e voilà.

Viu? Eu disse que era básico. O processo é o mesmo para vários outros molhos como de gorgonzola, au poivre, poivre vert, etc. Quem estudou direitinho, soube fazer.

Seguindo, o maior erro que pude perceber foi nos acompanhamentos. Tomates, cenouras, cogumelos, bacon, berinjelas… Nada que combine.

Um prato desse pede simplicidade, por exemplo: batatas, aspargos tostados e só. Os que seguiram essa linha, se deram bem.

Ninguém errou feio o ponto, uns realmente ao ponto, outros ponto pra mal, mas tudo dentro do aceitável.

Valter, Mirian e Leonardo se destacaram, Valter venceu.

Já Natália, que tivemos o prazer de ter como integrante do Tipzine, foi a que teve um pouco mais de erros. Numa prova simples e parelha como essa, os detalhes são grandiosos. O ponto não estava perfeito, o molho era pouco e não estava saboroso e os acompanhamentos eram muito simples.

Natália, o que tenho a te dizer é que continue cozinhando. Sempre com alma, coração, muita dedicação aos estudos e respeito à profissão, à comida e ao comensal. Você tem talento, até mais do que alguns que ainda estão, mas é um jogo e todo jogo tem regras. Como você disse, não é só cozinhar. É preciso ter o psicológico muito em dia.

Caso você leia isso, saiba que está convidada a vir para Ribeirão cozinhar numa cozinha profissional quando quiser, é só me chamar. Será um prazer!

E segue a competição, cada dia mais quente! 😉 Semana que vem tô aqui!

Até a próxima.

Cadu Evangelisti

Cozinheiro e publicitário, mas não me acho a última bolacha do pacote.
Sou só um cara agitado, emotivo e sorridente, que não recusa uma cerveja.

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