A melhor sensação do mundo: alívio

Era quarta-feira de uma semana interminável. Sai do trabalho, pluguei meu fone de ouvido no celular e coloquei aquela música que lembrava você. Em um instante, me vi envolvido a todas as lembranças. Era difícil segurar a emoção.

Parei em um posto e comprei uma cerveja. Tudo isso era a terrível vontade de não voltar para casa. Abri a garrafa, acendi um cigarro e simplesmente comecei a andar, sem rumo. Enquanto andava e a música rolava, o pensamento me levou aos momentos que tivemos juntos. Aquilo que guardei, deixei sair em forma de lágrimas.

Continuei andando. Até chegar no solo de guitarra de uma música X e sem relevância. Aquela parte me jogou a um dos melhores momentos que tivemos. Lembrei-me das vezes que te usava de guitarra, microfone e bateria, como forma inconstante de mostrar a sua importância pra mim.

A playlist continuou e eu fui junto. A cada vez que levantava minha cabeça, estava em um lugar diferente, totalmente no oposto que precisava ir. Comecei a perceber que aquele caminhar era um sinal. Finalmente me vi livre de todos os sentimentos de medo, tristeza e fraqueza. Aquilo que chamava de “gostar” era apenas momentâneo e consegui enxergar que você é apenas um passado difícil, mas que em certo momento me fez bem.

Parei em outro posto e ali encontrei um casal desconhecido. Era nítida a felicidade de ambos. Parecia que o mundo podia acabar naquele instante que para eles, a felicidade cabia naquele momento. Me vi sorrindo com a cena e tudo o que era de ruim sumiu. Senti, pela primeira vez, alívio. A cerveja era um símbolo do que você tinha se tornado e, a cada gole, o seu significado baixava junto ao líquido. O peso de carregar um fardo que não era meu tinha ido embora.

Aqueles cinco quilômetros de caminhada me fizeram ver que você foi um instante de prazer e estresse, mas que valeu a pena tentar. Mas como sou ruim em disputas de sentimentos, decidi deixar de lado e seguir em frente. Só que muito obrigado pelos momentos felizes, pelos momentos de tristeza e pelo que me trouxe. Graças a você eu pude ter a noção de tudo aquilo que não quero. Seja feliz. Ah, e as músicas que me faziam chegar a você, viraram singles ambientes que fazem minhas lembranças dançarem.

João Vitor
Louco, eu? Vocês que são muito normais.

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Louco, eu? Vocês que são muito normais.