Meu Bar Minhas Regras

Se estiver em um bar e for chamado de animal, burro, inseto e trouxa, com certeza você vai embora imediatamente e ainda vai fazer textão no Facebook. Mas, como o brasileiro não cansa de me surpreender, descobri um bar que te chama de tudo isso e mais um pouco – e tem clientes fiéis. É isso mesmo, as pessoas são tratadas como insignificantes e ainda voltam.

O Bar do Capelão, localizado no centro de Viçosa, em Minas Gerais, tem um jeito todo especial para tratar seus clientes. A sinceridade é marca registrada:

“A turma de animais percorreu quase mil quilômetros para conhecer o bar. Saíram de Piracicaba (SP) — terra das pamonhas e dos pamonhas –-, andaram de balsa, ônibus e a pé e, quando chegaram aqui, achando que iam me encontrar, eu não estava, porque tenho mais o que fazer da vida. Contentaram-se em conhecer meu filho Marcos Paulo, o punheteiro.

Eu não perdi nada, claro. Clientes que vêm ao bar para comer batata recheada e tomar suco não merecem respeito. Se f*deram! Voltem quando tiverem dinheiro de verdade e, aí sim, serão mal atendidos com todo o desprazer possível. Por enquanto, fiquem com o prêmio de Maiores Otários de 2016, um oferecimento de Bar do Capelão: Código de Defesa do Consumidor é meuzovo.”

 

(postagem aqui)

 

Seu carisma é marca registrada e a forma como entrega os pratos e copos é muito peculiar:


 

Outro destaque no Bar do Capelão é a forma gentil que ele cobra os clientes:

 

A grande dúvida é: como ele consegue ter tantos clientes mesmo tratando todos eles muito mal? Simples: autenticidade. O atendimento diferenciado atrai aqueles cansados das mentiras e bajulação. Esse fenômeno é o reflexo do que acontece no nosso país. As mentiras tomam conta das mídias de massa, não podemos confiar em mais nada, tudo parece manipulado e têm a intenção de nos fazer acreditar no que eles querem. Quando nos deparamos com a autenticidade somada a sinceridade, ficamos encantados. Além disso, presenciamos cada vez mais adultos se comportando como crianças mimadas. Quando somos ofendidos e insultados, perdemos o controle e, muitas vezes, fazemos grandes besteiras. O insulto contínuo para quem frequenta o bar, torna as pessoas mais tolerantes e pacientes. Não se abalam com qualquer tipo de ofensa e, como bônus, aprendem a se defender de insultos verdadeiros.

“SORRIAM, ANIMAIS! VOCÊS ESTÃO SENDO EXPLORADOS! Chegou cardápio novo. Sabem o que isso significa? Preços novinhos em folha, reajustados acima da inflação, para garantir a margem de lucro exorbitante. Dica do dia: não pensem em crise, explorem. Quem paga as contas do empresário é o consumidor. “Capelão, você é bem burro, hein, ô leitoa de bingo! Meu professor de economia me ensinou que, quando o preço sobe, a demanda cai. Você vai perder venda, seu verme pançudo!” Burro é você, seu boi de teta! Meus clientes, digo, insetos valorizam o preço abusivo. Se eles vêm ao bar e não saem com a sensação de que estão sendo lesados e feitos de trouxas, acham ruim e me denunciam no Procon por propaganda enganosa. Então, eu soco preços altos neles. Portanto, cale a boca e pague sem reclamar! E se achou ruim vá para a concorrência! * ATENÇÃO! Não roubem meus cardápios! O único ladrão permitido no bar sou eu.”

 

(Postagem aqui)

 

Assisti vários vídeos com entrevistas e o atendimento do Bar do Capelão. Particularmente, não senti, em nenhum momento, um tom arrogante ou ofensivo. A forma como o Capelão se expressa é direta e não possui ruídos, deixando claro suas intenções. Esse tipo de comunicação estreita a relação dos clientes com o bar, fidelizando cada vez mais os frequentadores. Mas lembre-se, não é qualquer pessoa que pode ter o estilo e o diferencial do Capelão, esse tipo de comportamento exige experiência e observação.

Ficou curioso? Clique aqui e acesse a página do Bar do Capelão.

Reportagem para a Record local.

Mauricio Colar

28 anos, publicitário (isso já diz tudo sobre mim)

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