Minha Bela Dama (My Fair Lady)

Minha Bela Dama (1964) é um clássico dos clássicos. Talvez nunca tenha tido o mesmo alcance que outros musicais do mesmo porte como A Noviça Rebelde, mas, mesmo assim, é um grande exemplo de uma época que provavelmente não voltará mais.

O filme conta a divertida história de Eliza Doolittle (Audrey Hepburn), uma vendedora de flores na era eduardiana, em Londres, que tem maus modos e fala com o sotaque cockney, basicamente ininteligível mesmo para os britânicos. Ela é abordada pelo arrogante professor Henry Higgins (Rex Harrison) que, em uma aposta, decide transformar a “Maria Ninguém” em uma dama da sociedade.

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O conflito inicial estabelecido entre os dois personagens funciona como uma sinfonia bem afinada, graças à perfeita sintonia de Hepburn (podem falar o que quiser, mas considero esse seu melhor papel) com Harrison, em dois absolutos opostos quase inconciliáveis.

O roteiro é enganosamente simples e, apesar dos componentes clássicos de uma história de amor (alguém tem alguma dúvida que Eliza e Henry se apaixonarão e acabarão juntos, apesar de todos os pesares?), há um subtexto bem presente de crítica social, luta de classes e fortes estocadas nos chamados intelectuais completamente desligados da realidade fática do dia a dia.

Os números musicais são muitos e bem costurados dentro da narrativa, com letras funcionais e que desenvolvem a trama. Não há, diria, nenhum número particularmente memorável ou que chame especialmente a atenção, mas Minha Bela Dama não usa a música de maneira independente do filme e, provavelmente por essa razão, seja difícil separar uma coisa da outra.

Rex Harrison, que fizera o mesmo papel na montagem inaugural da Broadway, faz todas as performances no filme também e encanta com sua voz forte e sua dicção impressionante. Por essa atuação, ele amealhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator.

Audrey Hepburn, por sua vez, foi dublada, na maioria dos números musicais, por Marni Nixon, grande soprano americana especialista nesse tipo de trabalho (impossível não fazer a ligação com Cantando na Chuva, não é mesmo?). No entanto, isso não tira o brilho do trabalho da atriz e nem da soprano. O conjunto formado pelas duas é delicioso, com Hepburn transitando perfeitamente bem entre seus dois papéis: o de mulher sem nenhum tipo de requinte e o de dama da sociedade, com alguns momentos particularmente hilários, como na corrida de cavalos e seu “mexe essa bunda!”.

Em termos técnicos, o que realmente se destaca na obra é a fotografia deslumbrante de Harry Stradling Sr., com diversas tomadas em plano geral que funcionam para não só situar o espectador, como para envolve-lo nos dois mundo pelos quais Eliza transita. A direção de arte e o design de produção, além dos figurinos, trabalham em uníssono para transmitir, em detalhes, esse contraste entre os ricos e os pobres, entre a educação e a ignorância, entre o que a sociedade entende como belo e o que realmente é belo.

Baile do Embaixador


(Aos 1:39 veja a entrada da maravilhosa Audrey vestida no Givenchy)

Afinal de contas, não foi sem querer que todo esse trabalho técnico resultou em oito estatuetas do Oscar: filme, ator, direção, fotografia, direção de arte, figurino, som e música. Nunca entenderei porque Hepburn nem mesmo concorreu ao prêmio de melhor atriz (mas concorreu e levou o Globo de Ouro nessa categoria), mas a Academia é pródiga dessas loucuras.

Minha Bela Dama é divertimento puro, mas com inteligência, algo cada vez mais raro de se ver hoje em dia. É um deleite visual e sonoro que precisa ser apreciado por qualquer amante da Sétima Arte.

História do filme

 

Fonte: Plano Crítico

 

Thiago Dantas
Sou publicitário, 34 anos, pra frentex, cristão, cinéfilo, carnívoro neandertal, amante dos bichos, ouvidor de musica country/punk, estudante das ciências jurídicas, que tem muitas saudades daquilo que não viveu e quem sabe um dia eu não me torne imperador ou ator\dançarino.

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