Mulheres Cervejeiras

No interior elas se destacam pela escolha de suas paixões. Quatro belíssimas mulheres deixam um pouco de lado suas profissões para buscar um outro mercado, o de Sommelier de Cervejas.

Que mulher consome cerveja, isso não é lá novidade para ninguém. Mas que elas estão dominando o mercado cervejeiro, isso talvez você não tenha percebido.

Vou citar dois exemplos que ganharam destaque nas últimas semanas com o lançamento do reality “Mestre Cervejeiro”, no canal TNT. O programa é uma extensão do concurso da cervejaria Eisenbahn, que premia os melhores cervejeiros caseiros do Brasil. Bom, nesse programa, além do destaque para os competidores, chamam a atenção no time de jurados, duas profissionais com um gabarito de cair o queixo. A sommelier, mestre cervejeira e sócia-diretora do Instituto da Cerveja Brasil, Kathia Zanatta e a sommelier e empreendedora Bia Amorim.

Por isso, hoje o meu texto é para falar delas, mulheres no universo cervejeiro. E eu escolhi quatro personagens aqui da minha terrinha, São José do Rio Preto.

Liliane Campreguer

Formada em Sommelier de Cervejas pelo ICB em parceria com a Associação Brasileira de Sommeliers, especialista em Análise Sensorial e Off Flavours, também pelo ICB em parceria com a Aroxa (Inglaterra), Bartender e, recentemente entrou para o curso de Básico em Cachaças pelo Senac. O currículo dessa moça é extenso. Liliane começou sua história com a cerveja artesanal em meados de 2008 quando tomou uma Weissbier (estilo alemão que apresenta notas de banana e cravo) e achou interessante aquela bebida de gosto peculiar. Desse momento em diante foi provando coisas novas e se apaixonando cada vez mais. Liliane, entre muitas atividades, comanda uma confraria feminina mensal chamada “Dona Breja”. Ela também é sócia idealizadora do InfoBeer.net, que oferece cursos de educação cervejeira.

As mulheres tornaram-se atuantes no ramo cervejeiro, e isso é uma das coisas que mais me entusiasmam ao trabalhar com cerveja, pois vejo isso como uma quebra de barreiras. Temos Sommelières, Mestres Cervejeiras, Embaixadoras de Marcas, Consultoras, Professoras, Colunistas que são verdadeiras referências cervejeiras. O consumo pelo público feminino também aumentou, pois as mulheres estão mais dispostas a conhecer a variedade de aromas e sabores que as cervejas artesanais têm a oferecer. E além de tudo isso, tivemos um imenso avanço com relação à imagem “mulher e cerveja”, que está deixando de ser vista com apelo sexual e sensualidade, tendo como resultado a valorização da mulher como potencial consumidora da bebida.”

Lívia Fernandes

A química Lívia começou seu relacionamento com a cerveja artesanal em 2009, quando em um bar chamado Cervejaruim (da Colorado) provou a Índica e Appia. Lívia é formada em Sommelier de Cervejas, Tecnologia Cervejeira e fez especialização em leveduras, tudo pelo Science Of Beer, escola cervejeira localizada em Ribeirão Preto, um dos mais importantes polos do setor nas nossas proximidades. Hoje ela é sommelier responsável pela rede Muffato de São José do Rio Preto. “Nós mulheres estamos cada vez mais envolvidas! Fui a primeira mulher da cervejaria Invicta a me envolver com a produção propriamente dita. Temos a Fernanda Ueno da Colorado que se destaca na produção, além de muitas outras que já são reconhecidas e admiradas. Cerveja deixou de ser papo exclusivamente masculino.”

Carla Costa

Tive o prazer de dividir a mesma turma de Sommelier de Cervejas do Senac com essa garota que, pra mim, é uma das melhores profissionais. Entregue à profissão, Carla é sommelier no beer shop Don Tonel, em Rio Preto. Dedicada, ela também tem formação em Harmonização com Cervejas, curso de especialização oferecido pelo Senac Rio Preto. A história da Carla com a cerveja começou cedo, por volta de 2005, com a Heineken. Naquela época, Heineken era ousadona! A paixão por cerveja aproximou Carla das artesanais e cá estamos.

“Quando falamos da relação das mulheres com a cerveja artesanal, precisamos automaticamente excluir aquele termo tão pejorativo de “cerveja para mulher”. A indústria cervejeira nunca sequer ousou em criar alguma cerveja que na sua composição tivesse algum ingrediente que fosse exclusivamente para o consumo dos genes masculinos ou femininos, mas mesmo assim ainda existe muita gente preconceituosa que acha que cerveja para mulher deve ser uma cerveja leve, doce, de baixa graduação alcoólica… e isso chega seja a ser um completo absurdo. Independente do sexo, a cerveja foi criada para agradar paladares, e não tem nada tão satisfatório nesse meio do que ver cada vez mais mulheres consumindo cervejas e provando para os homens e para a sociedade em geral que nós podemos tomar a cerveja que quisermos a hora que quisermos!”

Flávia Nakao

Flávinha é uma figura carismática, que tive o prazer de conhecer em uma trip que fizemos com as turmas de sommelier do Senac. Ela começou a desbravar o universo das cervejas artesanais em 2015, quando foi estudar fora do país. Formada em Recursos Humanos, quando voltou para o Brasil, só queria saber de investir em conhecimento por essa nova paixão. Flavinha atende no beer shop Mestre Cervejeiro de Rio Preto. Lá ela pôde aprofundar seus conhecimentos e por em prática tudo o que aprendeu nas aulas do professor Fábio Campos, que por sinal, é marido da Liliane!

A relação entre mulher e cerveja não é de hoje, antigamente as mulheres eram as maiores produtoras da bebida. Os homens saiam para caçar e a função da mulher além do pão era produzir a cerveja, pois grande parte dos ingredientes eram comuns nos dois alimentos. Hoje além de produtoras, somos profissionais e consumidoras. Como em tudo, a mulher conquista seu espaço aos poucos e na maioria das vezes se destacam no que fazem. E com o mundo cervejeiro não podia ser diferente.”

Quatro histórias diferentes, uma luta em comum, mostrar que cerveja é sim negócio de mulher. Apesar de sermos cobradas com mais vigor sobre o consumo, sermos testadas o tempo todo, como se deixássemos dúvidas sobre nossas habilidades, nossa perseverança é maior que tudo isso. “Quem sabe daqui a alguns anos a definição mulher/cerveja esteja totalmente mudada mas, enquanto isso não acontece, vamos trabalhando para que nossas filhas e netas possam usufruir de mais essa conquista”, finaliza, com chave de ouro, Liliane.

Daiane Oliveira

Jornalista, apaixonada por rock & roll e Sommelier de Cervejas

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