Na internet o importante é ter opinião

Umberto Eco disse que as “mídias sociais deram voz à legião de imbecis”. É inegável que as redes sociais democratizaram o acesso à informação, é inegável também que muitos utilizam a internet de forma agressiva.

O fake criado para atacar alguém é só um exemplo de como uma pessoa covarde se acha intocável em frente a um computador. Mas existem os mais valentões que, com o próprio perfil, atacam, ofendem, denigrem e mostram sua essência nos comentários. Nessa terra que muitos creem ser “de ninguém”, sempre há um tema polêmico a ser mais polemizado. Digo polêmico porque não dá para chamar a reciprocidade de ataques de discussão.

Há três semanas, o avião da Chapecoense caiu na Colômbia e uma das vítimas era meu chefe. Durante cinco dias, até a chegada do corpo, eu olhava o Facebook, mas sem prestar atenção. A cabeça estava em outro mundo, no mundo real, no mundo que acontece enquanto os computadores estão desligados. Somente uma semana após o acidente, abri o Facebook e consegui “entender” o que estava acontecendo. Enquanto muitos se solidarizavam com a Chape e as famílias de todas as vítimas, outros se atacavam sobre o aborto. Outra tristeza.

Eu já nem sei quantas polêmicas foram criadas nas últimas duas semanas. Sei que agora implicaram com o novo look da Anitta. Dá para ficar mais triste. Parece ser necessidade de falar. Acho que as pessoas estão ficando cada vez mais na internet e falando menos com os familiares, amigos e colegas.

A necessidade de gritar nas redes sociais, às vezes, me dá a sensação de que muitos não conversam com outros, não ouvem as vozes alheias e, muito menos, a própria voz. A necessidade de berrar e apontar o dedo a tudo e a todos está mais relacionada à falta de socialização. Quem convive com outras pessoas sabe que, muitas vezes, é melhor ficar calado do que ter razão.

Agnes Rubinho
26 anos, mineira, hétero. Opa, não é site de encontro? Foi mal.
Largou engenharia no terceiro ano, descobriu que queria jornalismo ao assistir uma Copa do Mundo. Fala demais, mas prefere observar. Escreve sobre cultura.

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26 anos, mineira, hétero. Opa, não é site de encontro? Foi mal. Largou engenharia no terceiro ano, descobriu que queria jornalismo ao assistir uma Copa do Mundo. Fala demais, mas prefere observar. Escreve sobre cultura.