O dia que eu fui embora

Eu anunciei esse dia já faz um tempo.

Te dei sinais, quase escrevi na testa: me valoriza.

Quase implorei para me notar, quase desenhei para você entender que me perdia um pouco a cada dia.

Hoje, quando você for me mandar mensagem, não vai mais ver minha foto no WhatsApp, não vai mais me encontrar no Messenger.

Não vai mais me encontrar em lugar algum, e, mesmo se você encontrar comigo na rua, não serei mais eu.

Hoje eu matei aquela que te amava e fazia tudo por você.

Mesmo se você esbarrar comigo no mercado ou na balada, você não vai mais me encontrar nem se olhar no fundo dos meus olhos.

Você me ajudou a sumir com aquela que vivia por você a cada vez que me ignorava, a cada vez que eu conversava e você fingia que me ouvia, a cada vez que eu tentava pegar na sua mão e você pegava o celular.

Aquela você não vai ver nunca mais, aquele perfume não existe mais.

Você me pedia para ir embora um pouco a cada dia, eu fingia não entender os seus sinais – não queria.

Mas, dessa vez, eu entendi. Caiu a venda dos meus olhos e nem eu mesma me reconheci ao olhar no espelho, nunca tinha visto olhos tão tristes como os do reflexo.

Juntei todos os pedaços que sobraram de mim ao sair e me refiz.

Mudei a cor, o cheiro e o astral, não deixei nenhum resquício seu, me reconstruí a duras penas, dia após dia.

A única coisa que não mudou foi meu sorriso e minha risada, essa eu sei que vai doer em você quando ouvir, e o motivo dela nunca mais será você.

Caroline Carvalho

Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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