O empoderamento feminino no mundo artístico

Não é de hoje que vemos grandes, magníficas e extraordinárias atrizes e cantoras fazendo discursos sobre o feminismo, o racismo, a desigualdade social e críticas ao presidente eleito nos Estados Unidos, Donald Trump. E são nomes fortes. Mulheres de muita garra que a cada dia expõem a importância de lutarmos por nossos ideais.

Primeiramente, vamos falar de Madonna. Sim, a nossa rainha do pop que você mais respeita em toda a vida! Recentemente, a diva discursou durante dez minutos (sem parar), após receber o prêmio de Mulher do Ano concedido pela Billboard e, em sua fala de agradecimento, veio o lacre. Ela falou sobre o sexismo, misoginia e a sua própria trajetória no mundo da música. Toda poderosa, Madonna é a capa da edição de fevereiro (nas bancas em 17 de janeiro) da revista Harper’s Bazar em comemoração aos 150 anos da publicação. Uma rainha é uma rainha!

Além de uma fotografia incrível da artista, a revista também mostra uma entrevista na qual Madonna, sem papas na língua, é super direta ao falar de política e como os artistas estão com medo de se posicionarem em relação ao momento atual dos Estados Unidos com a eleição de Donald Trump para presidente. “O que eu acho realmente surpreendente é o silêncio de todo mundo na indústria da música. Digo, ninguém no entretenimento, exceto por talvez poucas pessoas, fala sobre o que está acontecendo. Ninguém assume uma postura política ou expressa uma opinião. Eles querem manter uma posição neutra para que possam manter sua popularidade. (…) Não estão fazendo nada porque ainda não afeta suas vidas.”

Em outra pergunta feita pela revista, falando se seu trabalho é político, Madonna afirmou que sim e ainda completou dizendo que as mulheres devem, sim, explorar a sua sexualidade!

“Eu sou política. Eu acredito na liberdade de expressão, eu não acredito em censura. Eu acredito na igualdade de direitos para todas as pessoas. E eu acredito que as mulheres devem assumir sua sexualidade e sua expressão sexual. Eu não acredito que exista uma certa idade onde você não possa dizer e sentir e ser quem você quer ser. Veja minha carreira — do meu livro ‘Sex’ para as músicas que escrevi, ter beijado um santo negro no clipe de ‘Like a Prayer’, os temas que eu explorei no meu álbum ‘Erotica’. À medida que eu fico mais velha e me torno melhor em escrever e me expressar, você entra na minha era ‘American Life’ e eu começo a falar sobre política e governo e quão fodida é a política do nosso país, e a ilusão da fama e Hollywood e as pessoas lindas”.

Achou que pararíamos por aqui? JAMAIS! Agora trago o discurso de outra diva: a maravilhosa atriz Viola Davis <3. Vou confessar que tenho um amor incondicional por essa mulher desde quando comecei a assistir How to Get Away With a Murder, onde a atriz interpreta a insubstituível advogada criminal Annalise Keatin. Além disso, temos que ressaltar que a atriz é um grande destaque quando o assunto é Holywood. Negra, de família humilde e que recentemente ganhou uma estrela na CALÇADA DA FAMA (UMA ESTRELA NA CALÇADA DA FAMA!) por seus trabalhos incríveis, além de receber o primeiríssimo prêmio especial See Her, que tem como objetivo celebrar as mulheres que ajudam a mudar o jeito como são retratadas no cinema e na televisão. Não estamos falando de qualquer pessoa, estamos falando de Viola Davis!

Durante a cerimônia do Globo de Ouro 2017, as palavras de Viola emocionaram o público. A estrela de Fences (no qual ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante) fez dois discursos: o primeiro em agradecimento ao prêmio e ao seu pai “Nasceu em 1936, estudou até a quinta série e só aprendeu a ler aos 15, mas sabem de uma coisa? Tinha uma história que merecia ser contada e August Wilson contou”, e outro em homenagem a atriz Meryl Streep (calma que chegaremos nela também). “Ela observa. Essa é a primeira coisa que você nota sobre ela: Ela inclina a cabeça para trás com aquele sorriso malicioso suspeito e realmente te observa (…) Ela torna os personagens mais heróicos vulneráveis, o familiar mais conhecido, no mais desprezível. Sua arte nos lembra o impacto do que significa realmente ser um artista: que é para nos sentirmos menos solitários.”

A atriz também conta com duas candidaturas ao Oscar. Em setembro de 2015, tornou-se a primeira mulher negra a receber um prêmio Emmy como melhor atriz em drama. “A única coisa que diferencia as mulheres de cor de qualquer outra pessoa são as oportunidades. Não dá para ganhar um Emmy com papéis que simplesmente não existem”, disse durante o discurso que foi o germe da polêmica sobre a possível discriminação racial no Oscar, meses depois.

E como podemos esquecer o lindo discurso da eterna e desafiadora Miranda Priestly (O Diabo Veste Prada), Meryl Streep, sobre a eleição para presidente dos Estados Unidos – que não chocou apenas o povo americano e sim, o mundo inteiro. Em seu discurso, enquanto recebia o prêmio Cecil B. DeMille, prêmio especial pelo conjunto da obra, sem citar Donald Trump, ela defendeu os estrangeiros e a arte. “Mas quem somos? O que é Hollywood? Só um monte de gente de outros lugares. Eu nasci e cresci nas escolas públicas de Nova Jersey (…) Então Hollywood está rastejando com os estrangeiros, e se mandarmos eles para fora, só assistiremos futebol e MMA, o que não é arte!”

E continuou…

“Esse instinto de humilhar, quando feito por alguém numa plataforma pública, afeta a vida de todo mundo, porque dá permissão para outros fazerem o mesmo. Desrespeito convida desrespeito, violência incita violência. Quando os poderosos usam de suas posições para praticar bullying contra os outros, todos nós perdemos (…) É como minha amiga querida, princesa Leia, disse uma vez: Pegue seu coração partido, e faça dele arte.”

Achou que o empoderamento feminino pararia por aqui? Não, não. Mais uma vez descobrimos que a desigualdade de gênero ainda existe, e muito, em Holywood, com a diferença entre os salários dos homens e mulheres. Recentemente, a atriz Natalie Portman, em entrevista à revista Marie Claire britânica, revelou que Ashton Kutcher, seu colega no filme Sexo Sem Compromisso, recebeu salário três vezes maior do que o dela. Há quem diga que a luta pela igualdade de gênero é desnecessária e que o feminismo é uma babaquisse. Reflita novamente, meu jovem!

“Ashton Kutcher ganhou três vezes mais do que eu em ‘Sexo Sem Compromisso’. Eu sabia disso e deixei rolar porque há essa coisa com ‘cotas’ em Hollywood. A cota dele era três vezes maior do que a minha, então disseram que ele deveria receber três vezes mais. Eu não estava tão brava quanto deveria ter ficado. Digo, nós somos muito bem pagos, por isso é difícil reclamar, mas a disparidade é uma loucura.”

Na entrevista, ela entrou nessa questão ao falar do seu próximo filme, On The Basis of Sex, no qual interpreta Ruth Bader Ginsberg, a primeira mulher judia (e apenas a segunda mulher) a ser nomeada juíza na Suprema Corte dos Estados Unidos. Então, para honrar a história dos direitos das mulheres, Natalie insistiu que o filme fosse dirigido por uma mulher e completou:

“(…) Não acho que mulheres e homens são menos ou mais capazes. Só temos um problema óbvio em relação às mulheres não terem oportunidades. Temos que fazer parte da solução, e não perpetuar o problema.”

É através de grandes mulheres que outras grandes mulheres criam vozes para expor o que há por trás de todo o mundo machista. Sim, ainda vivemos em um mundo machista, mas sabe de uma coisa? Se você pensa que essas mulheres guerreiras, poderosas e donas de si vão desistir fácil, você está muito encanado. Aceita que dói menos.

Letícia Minutti

Jornalista. Geminiana. Apaixonada pela vida e fã do Latino nas horas vagas. Não importa o que aconteça, ria, mesmo que seja de nervoso. Se nada der certo? Segue o baile. E se der certo? Continua seguindo o baile.

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