O leve da vida

Era uma tarde de quinta-feira, mais um dia comum. Aquele famoso: acorda, trabalha, almoça, tira um cochilo, faz os corres da vida e, em um único momento de espera, surge a oportunidade de refletir sobre os acontecimentos do dia a dia.

Esperando minha mãe sair de uma reunião, estava extremamente distraída vendo a maravilhosidade que é o pôr do sol – que cegava meus olhos com tanta beleza -, pensando na vida, quando, por um segundo, avisto pelo retrovisor um senhor cego. Acompanhei atentamente sua caminhada pela calçada e quando ameaçou atravessar a rua, não hesitei e sai do carro oferecendo ajuda. Gentilmente ele me agradeceu e aceitou usar meu braço como apoio para fazer a travessia.

Ao deixá-lo do outro lado da rua, ele me agradeceu novamente e perguntei se ele precisava de mais alguma coisa e com muita educação e calma, ele me respondeu: “– Não minha filha, a partir daqui eu consigo seguir sozinho.” Queria ter tido mais tempo para conhecer a história desse homem.

Ao ouvir a palavra “sozinho”, meus olhos automaticamente se encheram de lágrimas. A independência desse homem – em ser sozinho – me comoveu. Não é difícil pensar quantas vezes ao dia reclamamos sobre algo que deu errado em nossa rotina e aquele homem, com a sua deficiência visual, me deu uma lição de serenidade e motivação, mesmo com pouco tempo de convivência, mostrando que existem barreiras maiores, mas que não é impossível quebrá-las.

O pouco contato que tive com esse senhor percebi que ele enxerga a vida bem mais colorida que muitas pessoas por aí. O normal não é o certo. O normal não significa felicidade. O normal não significa viver.

Letícia Minutti
Jornalista. Geminiana. Apaixonada pela vida e fã do Latino nas horas vagas. Não importa o que aconteça, ria, mesmo que seja de nervoso. Se nada der certo? Segue o baile. E se der certo? Continua seguindo o baile.

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