Os Últimos Jedi e a fagulha que acenderá o fogo da esperança

*pode conter spoilers

“152 minutos em que perde-se a conta de quantas vezes você sente um arrepio passar pela espinha”, um amigo que foi à pré-estreia definiu “os últimos jedi” assim para mim.

Fui ver dias depois e também não consegui contabilizar os arrepios constantes neste filme que é, sem dúvidas, o menos convencional da franquia.

Ele incomoda, causa sensações que vão da nostalgia, causada pelas cenas em que Carrie Fisher dá vida pela última vez à Leia Organa, ao êxtase ao ver a cena da batalha em Crait.

Crait é um planeta que abrigou uma base da rebelião por muito tempo. Tem um solo feito de um mineral vermelho coberto por uma camada fina de sal que levanta quando as naves avançam e faz com que o cenário da batalha seja digno de ser emoldurado.

Mas também existem momentos em que o filme fica um tanto “perdido”, como a origem do líder supremo da Primeira Ordem, Snoke. Qual a relação dele com o lado negro da Força? O que é? O que come? Onde vive? Veja hoje no Globo Repórter… não péra. Parece mesmo que essas dúvidas só serão respondidas nos romances.

No entanto, as cenas em que o líder aparece, são excelentes. Destaque para a luta da sala vermelha que é memorável.

Outro ponto que deixa a desejar é o arco do Finn. O personagem que teve tanto destaque em O Despertar da Força, se perde um pouco neste e parece apenas mero coadjuvante.

Riam Johnson, diretor, vem sendo muito criticado pelos fãs mais tradicionais. Ele foi bem corajoso por ousar, imprimir mudanças na personalidade de Luke, inovar a edição em algumas cenas, sem falar que mostrou a Força sendo usada de forma nova além daqueles já manjados usos em episódios anteriores (manipulação de mentes e telecinésia).

Algumas das críticas mais recorrentes, além do fato de que Rian Johnson se afastou do passado e introduziu novas linhas narrativas no episódio, o que para muitos teria “matado” a franquia, foi o aumento da diversidade entre os personagens – agora há mais mulheres e pessoas de outras etnias do que nas trilogias anteriores. Vão ter que engolir tsc tsc.

Ao final, o filme é uma onda de conflitos emocionais de Kylo e Rey, do Lado das Sombras e da Luz, sobre vitórias e derrotas, sobre como atos heroicos impensados têm um custo e sobre como ser a fagulha que acende a chama da esperança numa guerra.

Verônica Domingues

Publicitária, redatora, vegana e feminista. Não nessa ordem. Idade é apenas uma contagem de tempo em vão e aqui a tristeza salta de parapente de tão feliz, kiridinhos. Hipster na medida certa, mas nunca dispenso uma boa série, viagem ou rolê

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