Ozark – Violência e melancolia em tons frios

Se Breaking Bad tivesse uma prima, o nome dela certamente seria Ozark. As comparações entre os shows começaram antes mesmo da estreia, quando revelaram a trama do pai de família que se envolve com a máfia do tráfico e precisa fazer tudo o que é possível para salvar sua família. E as semelhanças não pararam por aí: oito milhões de dólares foi a quantia que Walter White conseguiu levantar até o espetacular Ozymandias, assim como também é o valor que gera todos os impasses na vida de Marty Byrde; tal como sua esposa Wendy, que visivelmente é uma nova Skyler, só que com bem menos bom senso. Mas, o que certamente ninguém esperava é o fato de que mesmo dentro de suas semelhanças, a nova série consegue levantar uma identidade própria e, principalmente, valorizá-la dentro do que os seus criadores se propuseram a fazer.

Ozark é o nome de uma região aparentemente pacata no estado de Missouri, nos EUA. A cidadezinha é banhada por um lago que tem mais de quatro mil quilômetros de extensão, além de ser cercada por uma cadeia de montanhas, todos levando o mesmo nome. É esse ambiente cinza azulado e constantemente nublado que dá o tom ao drama do gerente financeiro, que acaba contratado através de sua firma para lavar dinheiro de um grande traficante mexicano. Depois de um problema na operação, Marty precisa lavar oito milhões de dólares em apenas seis meses para salvar sua vida e de sua família. Sob extrema vigilância, a família Byrde parte para o interior e dá adeus à vida burguesa de forma melancólica numa trama recheada de suspense.

O show apresenta personalidades bastante contraditórias e emocionalmente quebradas, que dá uma aparência de inconsistência na trama, exceto por Ruth Langmore, antagonista cujo desempenho merece destaque em uma excelente atuação de Julia Garner, que já trabalhou em diversos títulos e vem brilhando em The Americans. Por outro lado, essas personalidades acabam se encaixando ao ritmo da trama, trazendo um redemoinho de emoções que dá muita força ao drama, além de ressaltar as influências do suspense de forma envolvente.

A fotografia fria ajuda a finalizar o pacote e fica responsável por ilustrar a melancolia do enredo, que traz altos pontos de ação e violência em uma trama que suplica por cada dose de adrenalina apresentada. Sem muitas surpresas, a novidade consegue se autoafirmar com suas forças e disfarçar suas fraquezas em algumas tensões. O texto, por sua vez, faz seu dever social levantando várias feridas ainda pouco discutidas como a força do narcotráfico em afetar a sociedade atual. Outro fator que deve ser destacado é a simbologia na história, que exige mais atenção e uma maior interpretação do público, como mostra todo o material de divulgação da série, onde alguns urubus atacam um saco de dinheiro à beira de uma piscina.

Com dez episódios de aproximadamente 60 minutos, a novidade Original está inteiramente disponível no catálogo Netflix. Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

Comments

comments

About the Author

Jôicy Franco
Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.