Passei uma semana sem usar maquiagem e foi isso o que aconteceu

Ufa, acabou! Começo a escrever esse texto às 22h do dia 17 de janeiro, terça-feira. Há uma semana, depois de acordar atrasada e planejar passar a maquiagem apenas quando chegasse no trabalho, conversava com meus queridos parceiros de Tipzine. Meio que por impulso, tive uma ideia: passaria uma semana sem usar maquiagem alguma para depois contar aqui o que aconteceu. Sendo assim, eis meus relatos (um tanto quanto selvagens, confesso). O resultado, adianto, se trata muito mais de autoconhecimento que análise social – de qualquer forma, um não elimina o outro.

Antes de começar, existem alguns fatos sobre mim que precisam ser ditos:

1 – Como sempre tive muita olheira, é difícil lembrar a última vez que saí de casa com zero corretivo no rosto. Para mim, é a parte mais importante da maquiagem.

2 – Eu parei de tomar anticoncepcional há pouco mais de seis meses. O que isso significa? ESPINHAS! Aos poucos (haja paciência), meu corpo está se acostumando novamente a não receber uma dose diária de hormônio. E, enquanto isso acontece, várias pipocam pelo meu rosto.

3 – Eu estava menstruada, o que agrava bastante o item 2.

4 – Eu não tiro a sobrancelha, ou seja, mesmo quando estou muito maquiada, passo aquela sensação de sujeira (sim, o ser humano associa pelos a sujeira em pleno 2017).

5 – Eu amo maquiagem. De verdade. Me sinto pelada, esquisita, feia, inchada (…) quando estou sem. Mas, não é que eu saia de casa com sombras mil e cílios postiços. Minha rotina de make consiste em: hidratante, corretivo, pó bronzeador, iluminador, máscara para cílios e, às vezes, batom vermelho (ora o Ruby Woo, da M.A.C, ora o Dragon Girl, da Nars).

Dito isso, que siga o baile!

Oi, meu nome é Olívia, e eu fiquei uma semana sem usar maquiagem

 

TERÇA-FEIRA, 10/01

No primeiro dia sem maquiagem, consegui observar algumas reações. A mais comum foi a pergunta “o que aconteceu?”. Acho engraçado precisar acontecer alguma coisa para eu estar sem maquiagem quando, na verdade, deveria ser o contrário, certo? A maioria das pessoas que eu conheço usam maquiagem quando algo acontece – uma festa, um jantar, um encontro. De qualquer maneira, algo havia acontecido: acordei atrasada e inventei de fazer uma experiência – a qual eu já havia me arrependido no instante seguinte de sugerir.

Porém, me baixou o espírito jornalístico mais puro da vida e resolvi levar a sério. No mesmo dia, fui com uma amiga até o Jardins fazer umas comprinhas e ela sugeriu de jantarmos. Hesitei, mas acabei aceitando – de nada adianta aceitar um desafio como esse e ficar escondida dentro de casa. Mas, vamos aos fatos: eu só tirei os óculos escuros depois das 20h e mais de três taças de vinho.

 

QUARTA-FEIRA, 11/01

Obviamente, depois de tomar várias taças de vinho e duas de gim no dia anterior, acordei com cara de quem acabou de voltar do carnaval de Salvador. Enquanto tomava café da manhã, pagava contas e lia um jornal, passei a máscara best-seller da The Body Shop, a Tea Tree, que promete remover as impurezas e dar sensação de frescor imediato.

No mesmo dia, lancei mão de um truque: mudar o foco de atenção. Quanto mais descolada forem minhas roupas, menos as pessoas irão reparar no meu rosto. Mesmo assim, ainda me sentia muito mal ao tirar os óculos escuros.

Look descoladinho para ninguém reparar nas olheiras

De noite, fui jantar na casa de um casal de amigos. Como somos bem próximos (nível “entro e tiro o sapato”), fui despreocupada. Mas… mais três garrafas de vinho (juro que não sou alcoólatra). Sabia que a quinta-feira seria intensa.

 

QUINTA-FEIRA, 12/01

Resolvi manter a rotina da máscara da The Body Shop e aliei a de chá com a de argila, chamada Seaweed, da mesma marca, que promete limpeza profunda, além de ajudar a reequilibrar e revitalizar a pele.

Compre aqui por R$ 81

Preferi me abster dos compromissos sociais, já que viajaria no dia seguinte, tinha terapia depois do trabalho e ainda precisaria arrumar mala. De noite, em casa, deixei duas colheres no freezer para colocar sobre os olhos antes de dormir e dar uma desinchada. Enquanto fazia isso, analisei mais profundamente a experiência.

Me peguei em um momento bastante peculiar. Nunca fui uma pessoa insegura, pelo contrário: me sinto muito à vontade com qualquer roupa (desde biquínis e maiôs engraçados até roupas de meninos – que eu uso bastante, aliás), não tenho o menor problema com o meu corpo e cabelo. Mas, percebi uma insegurança enorme quando o assunto é o meu rosto. Durante todo o desafio, tentei me esconder atrás de óculos escuros, roupas descolex e até comprei um chapéu (vai vendo…). É triste perceber uma relutância com as nossas próprias características físicas. Dizem que a primeira fase para superar um problema é aceitar que ele existe. E é.

 

SEXTA-FEIRA, 13/01

Acordei muito cedo. Como sairia antes do trabalho para viajar, cheguei mais cedo, o que me fez acordar às 6h30. Estava bastante irritada e com sono (como você pode ver na conversa abaixo com o Thomaz). Somado a isso, nem cogitava cruzar com um espelho. Mesmo assim, foi o primeiro dia que não fiz o trajeto casa-trabalho usando óculos do tamanho do meu rosto.

Resumindo bem, a equação do dia foi a seguinte: acordei cedo demais, trabalhei bastante, saí de São Paulo rumo a Novo Horizonte às 16h, viajei 400km, cheguei na casa dos meus pais por volta das 20h e ainda teria uma festa de pré-comemoração do aniversário da minha irmã (que aconteceu no sábado). Aí você já imagina como meu rosto estava, certo? Mas, resolvi desencanar. Dei graças a deus por estarmos no verão e eu estar com a pele minimamente bronzeada. Coloquei short jeans, top de seda rosa claro de alças finas e decidi curtir o momento com os meus amigos (que vejo tão pouco). O resultado? Me diverti pra caramba, e não me incomodei de ter o rosto filmado e fotografado (ah, a geração Y). Fui dormir às 3h30 da madrugada.

 

SÁBADO, 14/01

Havia marcado manicure às 8h30. Acordei e parecia que tinha areia nos meus olhos. Fui, mesmo assim.

A festa de aniversário da minha irmã seria uma pool-party, começando às 14h e sem hora para acabar. Ou seja, não tirei nem um cochilinho antes de ir. Ainda bem: estava muito sol e fui praticamente obrigada a ficar de chapéu e óculos a maior parte do tempo.

E, se você pensa que eu sou o tipo de pessoa que vai para a praia ou para a piscina com a cara e a coragem, não se engane. Sempre passo corretivo, um pouco de pó bronzeador e uma camada bem fina de rímel à prova d’água. Por isso, passei a semana toda preocupada: como ir a uma festa de cara lavada?

Te falar que eu fiquei tranquila, não vou. Mas foi mais de boa que o esperado. Decidi manter a vibe da sexta-feira e não encanar muito.

 

DOMINGO, 15/01

Dia mundial da ressaca e do comer sem fim. Sobrevivi sem problemas, enfrentei uma viagem de volta a São Paulo. Só queria a minha cama.

 

SEGUNDA-FEIRA, 16/01

Devo ter dormido umas 17 horas seguidas. O que foi ótimo, mas me fez acordar parecendo um Pug. Já estava bem de saco cheio da história de não poder usar sequer um corretivinho. Mas, pensei que estava acabando e fiquei mais tranquila. Não estava mais me importando tanto com as minhas olheiras: o mundo já as conhecia, rs.

Comecei a perceber melhoras significativas na minha pele. Não sei se pela falta de maquiagem ou porque redobrei os cuidados (talvez pelos dois?), mas vi espinhas e manchas serem atenuadas e senti a textura menos áspera.

Além da rotina de máscaras e colheres geladas, passei a usar água termal (Vichy aqui) e a passar o tônico hidratante com vitamina E (The Body Shop aqui) com mais frequência.

 

TERÇA-FEIRA, 17/01

Ufa, acabou. Mas, como dizem alguns amigos meus: as coisas só acabam quando terminam. Ainda tinha mais um dia para enfrentar. E, como acredito que a frase “last, but not least” (algo como, “por último, mas não menos importante”) seja um mantra e não uma introdução, a última terça-feira foi um dos dias mais importantes da saga.

Tinha terapia às 18h e, como em todos os dias que preciso deitar em um divã, estava chatinha, chorosa, meio mal-humorada. Entre tantos outros assuntos, falei sobre a semana sem maquiagem, sobre a percepção de um problema de autoimagem, sobre aceitação. Ao final, Adriana, minha psicanalista, fez um paralelo geral de assuntos, que achei importante dividir com vocês. “Você disfarçar uma tristeza porque não aguenta mais estar triste pelo mesmo motivo, não faz você ficar feliz”, disse ela, “O corretivo não trata a olheira, ele só esconde”.

 

Considerações finais:

Abaixo alguns dos comentários que recebi sobre o assunto durante a última semana e consegui registrar. Como uma das minhas melhores amigas sempre diz: quem tem amigos, tem tudo, rs.

Na quarta-feira acordei mais feliz por poder usar maquiagem. Acho que, ao final, o maior problema foi a proibição de algo, não poder fazê-lo caso quisesse, e não o fato de ficar sem maquiagem em si. Claro que no começo tudo era um problema. Mas, ainda bem, sou uma pessoa bem mais flexível do que eu imaginava.

Comecei a pensar que tratar um problema, por menor que seja, é bem melhor que o disfarça-lo (vale para olheiras, manchas e vida).

Não vou mentir, vou continuar usando maquiagem – ainda acho que fico bem melhor com (vide a foto abaixo). Mas talvez faça como Paul McCartney e seu Monday No Meat e eleja um dia de folga para os meus poros.

Produtos usados aqui: hidratante facial Visage Beauty, Nivea (aqui); corretivo Colorstay, Revlon (aqui); pó compacto Dior Skin, Dior (aqui); rímel Yves Saint Laurent Volume Effet Faux Cils (aqui); pó bronzeador Bronze Splendor, Eudora (aqui); iluminador Radiante Touch, Kiko Milano (não vende no Brasil, infelizmente. Custa em torno de 10 euros).

Como Adriana finalizou minha seção da última terça-feira: o importante é se divertir no processo. Espero que vocês tenham conseguido ao ler esse post 🙂

Olívia Andrade Nicoletti
Olívia tem 26 anos, é repórter de moda, artista, desastrada, bebe muito gim e coca-cola e escreve sobre amor quando tem tempo.

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