Por onde andam?

Estava falando com um amigo esses dias… Ele tinha sumido por um final de semana inteiro e quando voltou quis saber quais eram as novidades.

– Você não tem nada para me contar?

Foi o suficiente!

Ele achou que eu queria saber se ele tinha pegado alguém! E eu realmente não queria saber isso. Foi uma pergunta tão inocente, só queria saber o que tinha acontecido de legal no lugar em que ele esteve. Mas ele acha até agora que era outra coisa; disse estar acostumado com perguntas assim.

Para ajudar, vi um filme ontem que o cara fez um elogio para a moça, ela agradeceu e ele já a chamou para sair. Mas ela não queria, apenas foi simpática – e vou usar a frase dela “por que as pessoas têm que sexualizar tudo?”

Hoje, chamar para ir ao cinema, tomar uma cerveja – não estou falando de convites para tomar vinho em casa, esses não precisa nem duvidar da intenção; salvo exceções. Os que recebi até hoje, sei bem o que queriam dizer – ou algo assim, já dá margem para uma interpretação romântica.

Me parece que elogiar alguém virou sinônimo de querer algo a mais. Quando deixamos de sermos vistos como seres humanos para virarmos pedaços de carne? Nesta geração Tinder parece que estamos levando o catálogo das pessoas para o dia a dia.

Outra noite conversava com um cara que parecia ser super legal, dessas pessoas que dá vontade de conversar por horas numa mesa de barzinho, sabe?! Até ele me mandar uma “foto de boa noite”. Realmente ele era um gato, mas me brochou completamente; perdi o interesse.

 

Não estou tão velha para reclamar tanto, mas do jeito que está, pra mim não tá legal. Será que todo mundo só quer sexo, matches e contar o número de bocas que beijou? Eu prefiro acreditar que não. Talvez, por isso, acabo recebendo umas fotos estranhas sem querer. Onde estão as pessoas com quem podemos pegar um cinema, discutir sobre o filme, reclamar da vida, tomar um açaí e depois cada um ir para a sua casa sem precisar de mais nada?

Tô falando de companhia, de presença na vida do outro, de conversas que agregam, ideias doidas para compartilhar.

Será que só eu sinto falta disso?

Caroline Carvalho
Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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