Por um amor que seja “ridículo”

Em um dos versos mais conhecidos, Álvaro de Campos reflete sobre o “vexame” que são não só as declarações de amor, mas também os seres que não as fazem:
Todas as cartas de amor são 
Ridículas. seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor.
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas.
A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor
É que são 
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos exdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.)
No mundo atual, com acesso à internet praticamente em qualquer lugar, é difícil que alguém ainda escreva cartas. Mas não precisa pegar papel e caneta*. Pode ser pelo celular mesmo. Pessoas, demonstrem seus sentimentos. Não precisa ser Fernando Pessoa, nem Drummond, nem Shakespeare, porque jamais serão, mas abram seus corações, deixem o orgulho/vergonha de lado. Não precisa ter métrica, porque, nessas horas, quem lê só consegue analisar o mérito, a dedicação que o outro teve.
Sejam ridículos (as), sejam verdadeiros (as).
* Se der, escreva, sim, em uma folha, num guardanapo, que seja. O celular às vezes dá problema, a gente perde as conversas. O papel não. Provavelmente será guardado com muito carinho.
Mandem cartas! 😉
Agnes Rubinho
26 anos, mineira, hétero. Opa, não é site de encontro? Foi mal.
Largou engenharia no terceiro ano, descobriu que queria jornalismo ao assistir uma Copa do Mundo. Fala demais, mas prefere observar. Escreve sobre cultura.

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