Precisamos falar sobre Açaí. O verdadeiro!

Farinha Baguda

Esqueça tudo que você sabe sobre açaí e vamos começar do zero.
Primeiro ponto: açaí não tem gosto de terra. E segundo, primordial e principal ponto: o açaí não é doce.
O açaí é universal. Açaí é café-da-manhã, pré-treino, almoço, lanche, larica de doce, gordice no fim de semana e jantar. É suco, sorvete, sobremesa e prato principal.
O açaí é muito mais que um patrimônio brasileiro, além de ser um Patrimônio Cultural Imaterial do nosso país, essa frutinha é também uma marca genuinamente tupiniquim, e que já tentou se roubada por uma empresa do Japão que não obteve sucesso no rolê. Além de todas as gorduras boas e propriedades benéficas dos radicais livres, o açaí é o meio de vida de muitos ribeirinhos da região amazônica. E lá, de onde ele vem, ele é muito diferente.
Precisamos falar sobre o açaí paraense. Precisamos muito aceitar e encarar que o açaí não é só esse sorbet roxo que vemos “engororobado” com leite condensado, chocolate, leite em pó e frutas.
Precisamos aceitar que o açaí, original, sem açúcar e sem sal, é incrível.
Para provar o verdadeiro açaí, aquele grosso, com farinha baguda e peixe frito, é preciso ir ao Ver-o-peso. A maior feira da América Latina é nossa e fica bem às margens do Rio Guamá, lá em Belém, capital do Pará. Conhecem a música da Joelma que diz: “Chegou o mês de férias; Vou voando pro Pará; Vou direto ao Ver-ao-Peso apurar meu paladar”. Pois bem. Fica aqui o meu conselho: façam esse rolê.
Provem a farinha baguda, que nada mais é que uma farinha de mandioca que vai desafiar a integridade dos seus dentes, e provem também a tigela de açaí com um pedaço lindo de peixe frito, fresquinho. Mergulhem o peixe no açaí, deixem a boca ficar lambuzada pelo açaí. Provem a farinha de tapioca, que mais parece um punhado de flocos de isopor, mas que dá aquele “croc croc” à tigela. Se arrisquem em misturar os sabores, aromas e texturas do Brasil. Percam o medo de provar o novo.

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As primeiras colheradas são mesmo esquisitas. As primeiras impressões, sensações e lembranças gustativas deixam a cabeça a mil. Mas aos poucos a gente se apaixona pela brasilidade que é uma simples tigela de açaí com um pedaço de peixe e um punhado de farinha (que custa algo em torno de R$8). E eu garanto – e nem sou paraense – que é quase unânime, quem prova o Açaí do Pará, nunca mais quer saber de outro açaí.
Mariana Nogueira
Chef por formação, Social Media por destino e colecionadora de aprendizados. Acredita que a vida só faz sentido se tiver o nosso tempero.

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