Prevenção ou humilhação?

O Brasil é mesmo um país surpreendente. Como se não bastasse todo o cenário alarmante no qual o país se encontra, mais uma imposição foi lançada para as mulheres da capital federal ingressarem no mercado de trabalho. Vale ressaltar que tal medida não foi imposta para os homens.

Um dos exames exigidos no concurso do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal tem causado estranhamento: mulheres devem apresentar laudo do Exame Papanicolau (cientificamente conhecido como colpocitopatologia oncótica, exame ginecológico realizado como prevenção ao câncer do colo de útero e ao HPV) ou devem comprovar que não tiveram o hímen rompido – ou seja, que ainda são “virgens”. Em nota, a corporação disse que não considera a medida discriminatória e afirmou que o objetivo é aferir “a condição física e laboral dos candidatos”.

Sendo mulher, adepta a causa de igualdade de gênero e simpatizante do feminismo, eu não poderia encerrar o assunto e deixar por isso mesmo. Veja abaixo depoimentos de homens e mulheres cientes e alarmados com a imposição.

A virgindade feminina é um conceito opressor de uma tradição patriarcal misógina e fere um dos princípios tradicionais mais importantes: o da igualdade, que norteia também o concurso público, visto que todos os candidatos devem competir em condições idênticas. Logo, além de arcaica (para dizer o mínimo) tal exigência é claramente inconstitucional, um absurdo!

Amanda Chiareli, 25 anos, Advogada concurseira.

 

“É inaceitável a exigência de qualquer exame laudo ou documento discriminatório como no caso em questão. Além de ferir vários princípios constitucionais, estamos diante de uma situação que fere os direitos trabalhistas, além da Constituição Federal, existe a consolidação das leis no trabalho (CTL) e a Lei nº 9.029/95 – conhecida como Lei Benedita da Silva que garante uma igualdade entre homens e mulheres, não permitindo que seja realizado qualquer exame admissional, demissional ou até mesmo durante o contrato de trabalho que discrimine a mulher.”

Warley Damásio Neto, 25 anos, Advogado trabalhista.

 

“É evidente que essa ‘regra’ é inconstitucional, pois ofende os princípios da intimidade e dignidade humana, além de – obviamente – fomentar a desigualdade entre gêneros. Não há como não se sentir lesada.”

Amanda Tralli Faria, 21 anos, estudante de Direito.

A pergunta que fica no ar é: diante de tamanho absurdo e em contraponto uma crise instalada no país, como agir? Fazer o teste e garantir o emprego ou negar-se e perder a “oportunidade”?

 

XoXo, Gerlach.

VItória Gerlach
Publicitária, 23 anos e dançarina do É o Tchan nas horas vagas.
Lugares, livros e cervejas não necessariamente nesta ordem.

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