Quando os bits imitam a vida

Westworld, a série recém lançada pela HBO, se passa em um parque temático do Velho Oeste americano. O parque é povoado por andróides que são quase irreconhecíveis de um ser humano. Eles participam de narrativas para que aqueles que se aventuram no parque possam desfrutar de experiências indescritíveis.

O que mais me chamou a atenção é a semelhança com o mundo virtual dos vídeo games e, com o andar das coisas, estamos cada vez mais próximos de mundos como o apresentado na série.

A busca por um tipo de entretenimento consegue, cada vez mais, emular nossa realidade. É um refúgio para colocarmos nossos mais íntimos demônios para passear e nos libertar de nossas frustrações sociais.

Hoje podemos reparar isso em pequenas doses em games como GTA e games on-lines. Eles são capazes de criar mundos virtuais que conseguem, ainda que superficialmente, nos imergir em suas realidades digitais. Porém, com o avançar das tecnologias VR, estamos muito próximos de passar para o próximo nível nessa interação.

Em um mundo onde pessoas buscam formas de se refugiar, presas em loopings tediantes, sem qualquer emoção ou novidade, fica fácil ver a demanda que existe para ser saciada.

Talvez o motivo das pessoas buscarem refúgio em alternativas virtuais, é a falta de valor ou sentido no que fazem. É aquela impotência de ser apenas “isso” e, muitas vezes, o fato de você existir ou não, não tem qualquer impacto no mundo que o cerca. Em contrapartida, em um jogo on-line, você é, muitas vezes, peça essencial para seu grupo e admirado por suas conquistas virtuais. Em games onde uma atitude sua pode salvar um reino inteiro, você ouve pessoas o reverenciarem com um herói. Todos nós queremos aquela massagem no ego e os games conseguem isso.

O outro lado da moeda dessa relação entre nós e o virtual, é o fato dessa interação desbloquear sentimentos e sensações capazes de abrir oportunidades e visões antes apagadas em nós. Aquela autoconfiança que você suga do seu herói de armadura ou personagem favorito e, graças a ela, é capaz de mudar sua vida. E esse é outro ponto tocado por Westworld, que mostra o que podemos ser quando acreditamos em nós mesmos.

Ao meu ver, esse é ponto central dos games, mostrar que não importam as dificuldades, nós podemos melhorar e superar.

Herick Zerunian

Publicitário, nas horas vagas caçador de monstros, assassino de templários, matador de dragões, sobrevivente de apocalipse nuclear. Deus = vida = Bacon.

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