Reverse Delivery: genialidade e simplicidade

Imagine a seguinte situação: quinta-feira a noite, bate aquela fome e você quer pedir uma pizza. Até aí, tudo bem. Você pega seu smartphone, pesquisa algum aplicativo que reúne restaurantes com entrega a domicílio, faz seu pedido, recebe a pizza e depois é só alegria. O entregador volta para a pizzaria, você come a pizza assistindo alguma série na Netflix e depois vai dormir. Você deve estar se perguntando: “E o Kiko?”. Afinal, o que esse tipo de ação, onde um entregador de pizza te entrega uma pizza, tem de tão significativo e relevante na nossa sociedade (tirando o fato de que você está de barriga cheia e feliz)?

A agência Grey Brasil enxergou algo e transformou uma simples entrega de pizza em esperança para mais de 20 mil pessoas atendidas pela ONG Banco de Alimentos Brasil. Fundada em 1998, a ONG Banco de Alimentos, tem como principal missão minimizar os efeitos da fome e combater o desperdício de alimentos. Para conhecer mais sobre essa instituição, acesse o site: http://www.bancodealimentos.org.br).

Foi criada uma ação chamada Reverse Delivery que funciona da seguinte forma: quando você entra em contato com um dos restaurantes cadastrados, o atendente explica que, caso tenha algum alimento para doar, basta entregar ao motoboy quando receber seu pedido. Então, ao invés da mochila do entregador voltar vazia, volta com algum alimento que será direcionado à ONG Banco de Alimentos. Hoje, a Reverse Delivery possui quase 40 restaurantes cadastrados que vai desde pizzaria, passando por cachorro-quente, hambúrgueres artesanais e até comida japonesa.

E não para por aí! A ação deu tão certo que ganhou o mundo. O Burger King Espanha adotou a campanha em parceria com a ONG Banco de Alimentos Espanha. Em dezembro, a rede de fast food lançou o serviço de delivery Burger King en Casa e aproveitou toda a infraestrutura já criada em 240 das 680 lojas espalhadas pelo país para adotar a mesma dinâmica do Brasil: ligou para pedir, será informado sobre a ação (batizada de Entrega de Vuelta, na Espanha).

Esse tipo de coisa me faz ter esperança na humanidade. Transformar um hábito tão comum nos dias atuais em algo que possa gerar doações e salvar vidas – uma ideia simples e genial. Alguns podem até falar: “Ahhh, mas é uma agência que ganha dinheiro pra fazer isso…”, “São apenas porcos capitalistas enriquecendo usando a solidariedade!!!”. Pode até ser, mas eu respondo com uma pergunta: e você, santinho/a benevolente, rei/rainha da caridade, o que já fez de relevante para ajudar o próximo?

Mauricio Colar

28 anos, publicitário (isso já diz tudo sobre mim)

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