Room 104 – Tudo o que realmente pode acontecer entre quatro paredes

Mesmo que apresente uma proposta consideravelmente curiosa, Room 104 traz uma premissa rasa e básica. Em cada episódio, uma nova história é apresentada, formato que já vem se popularizando há quase uma década na televisão. A nova antologia da HBO é um constante convite íntimo às mais absurdas histórias que você possa imaginar. A produção assinadas pelos irmãos Duplass, navega calmamente entre diversos gêneros do entretenimento, como comédia e drama familiar, mas se estabelece fortemente no terror psicológico, thriller e todos os desdobramentos de suspense que você consiga imaginar.

O cenário é um quarto muito simples de hotel, desses tradicionalmente americanos, sempre posicionados estrategicamente em locais de muito movimento. A proposta simples carrega consigo uma liberdade imensa e praticamente inesgotável de narrativas, talvez até seja um dos fatores que a torne tão interessante: as possibilidades apresentadas e tudo o que realmente pode acontecer entre quatro paredes.

A abrangência da proposta destaca outra questão muito forte na identidade da produção: apesar de todo o auxílio que se pode extrair da iluminação e da fotografia em si, o cenário é extremamente limitado, fazendo com que praticamente toda a série dependa exclusivamente da narrativa e da interpretação do ator. A questão não é só ser um quarto, o problema está exatamente em ser sempre o mesmo local. Não importa o quão independente a história seguinte seja da anterior, o cenário permanecerá o mesmo de forma predominante, como manter um público interessado se ele (teoricamente) assistirá a diversos episódios que se passam no mesmo lugar.

Acima de todas essas questões, Room 104 volta a se reafirmar quando abre mão de boa parte de sua ambientação. Tirando por algumas referências climáticas, como chuva e frio, e alguns aparelhos e objetos como computadores e telefones de discagem analógica, a série nunca deixa claro o tempo em que a história se passa, passado presente ou futuro. É bastante gratificante se deparar com algo tão básico e revolucionário ao mesmo tempo, uma série inteira que não tem nada além de sua trama, dependendo da força da narrativa de cada episódio isolado para se manter e satisfazer seus espectadores.

Na somatória, a produção consegue se impor de forma exata, cumprindo sua proposta e entregando ao público performances realmente fenomenais de artistas visivelmente talentosos e, antes de qualquer outra coisa, uma trama surpreendente, envolvente sólida e de qualidade prática. A novidade já foi ao ar com sua primeira temporada, totalizando doze episódios de aproximadamente 30 minutos. Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.