Seu tempo acabou

O que dá pra esperar não é pra ser.

Eu quero urgência, quero aquela vontade que transborda, quero velocidade.

Tô cansada de coisas mornas, daquele “eu entendo, fica pra depois”. Eu cansei de entender, já entendi demais.

Você demorou tanto que a cadeira já pegou o formato do meu corpo, a maquiagem saiu e o sorriso cansou.

Você deixou pra depois, para o próximo final de semana, quem sabe o próximo mês.

Agora não dava sabe Deus por que!

Mas pra mim, “não está dando” faz tempo. Minha esperança de ver você chegar para ficar está dando os últimos suspiros e o ar dela está acabando, junto com a minha paciência. Estou vendo as duas de malas prontas para zarpar, e eu tô quase fazendo a mesma coisa.

Não quero deixar nas mãos do destino, chame como você quiser, mas essa coisa de “se for pra ser, vai ser” para mim é desculpa de quem não sabe o que quer.

Eu sei bem o que eu quero, sei que queria você aqui comigo, no verão ou inverno de bermuda, chinelo, do jeito que você quisesse estar, desde que estivesse aqui.

Esse seu adiamento está ficando claro para mim, está caindo a ficha que na verdade ele quer dizer tanto faz.

Para você acho que tanto fez desde o começo, era aquela coisa morna que eu esquentava na minha cabeça, eu supervalorizava suas atitudes e fechava os olhos para a falta delas.

Eu criei na minha cabeça um quadro perfeito de você, mas está perdendo a cor a cada noite que eu espero a sua ligação ou uma mensagem qualquer.

Olhando bem, esse quadro nem está mais combinando com a mobília, melhor eu tirar ele dali. Em vez de fazer minhas malas, vou fazer as suas, colocar a saudade do teu cheiro bem no fundo dela, o teu abraço apertado e todos os filmes que a gente assistiu. Vou jogar teu quadro fora, colocar outro no lugar, ou deixar o espaço vago para quando alguém que valha a pena chegar.

Vou deixar tudo o que carreguei de você dentro de mim da porta pra fora. Eu deixei a porta aberta para você tempo demais e ganhei apenas um resfriado por isso, um resfriado na alma que doía quase toda noite. Mas hoje minha ampulheta que esperava por você despejou seu último grão de areia, sua última chance e minha última falsa esperança.

Não vou carregar culpa alguma, mas hoje eu decidi que se algum dia você resolver voltar – como prometeu –, vai ser tarde demais. Conversei comigo mesma e decidimos que será melhor assim, seu tempo acabou.

Caroline Carvalho

Estudante de letras, troco salgado por doce, tentando ser fitness, amo gatos, livros e Netflix. Canceriana.

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