Stranger Things – 2ª temporada mostra amadurecimento sem perder o ritmo

Mesmo que você ainda não tenha se rendido aos gracejos do mundo invertido, com certeza está ciente que o segundo ano da série chegou à plataforma mundial na última sexta feira ou pelo menos percebeu uma movimentação bastante intensa sobre o show nos últimos dias. Um dos maiores sucessos do serviço de streaming atualmente, Stranger Things conta a história de alguns acontecimentos estranhos que começam a ocorrer na pacata cidade de Hawkins, em Indiana. Problemas em um laboratório militar instalado nas proximidades da cidade liberam monstros de outra dimensão e colocam em risco a vida de um grupo de crianças.

A segunda temporada chegou com um desenvolvimento lento e um tanto quanto massante em seus primeiros episódios, onde a história patina em cima dos fatos e claramente sobrecarrega a introdução dos novos personagens em seus devidos núcleos. Mas, esse tipo de deslize também auxiliou no nível de aprofundamento da trama, principalmente quando focamos em analisar unicamente a estruturação dos personagens: Joyce se mostra mais dedicada a Will do que nunca, Bob ganha o espaço que lhe pertence dentro da narrativa sem dificuldade alguma e até mesmo nossa querida Eleven, que claramente perdeu boa parte de seu protagonismo para Will nessa temporada, traz à nossa tela todas as dúvidas que temos, a confusão e a dificuldade emocional em torno de sua vida.

Assim como a season de estreia, o novo ano do seriado apresenta diversos pontos onde é fácil notar dificuldades de desenvolvimento de diversas formas na produção, tal como a centralização da problematização inteiramente direcionada ao mundo invertido sem que ele seja seja explorado, apenas apresentando-o como grande vilão. Mas o que deve ser levado em consideração antes de qualquer outra coisa é o fato de que nenhum desses empecilhos foram capazes de diminuir o ritmo da série ou afetar sua qualidade final.

Um ponto que veio arrancando comentários controversos do público em geral é o polêmico episódio sete, A irmã perdida, que chegou até mesmo ser nomeado de filler – uma espécie de episódio spin-off bastante praticado em animes – por diversos portais e sites do gênero. Apesar de sua notável desconexão com o enredo principal, e até mesmo a série em geral, o episódio foi de uma importância bastante significativa dentro da história, mostrando uma outra face dos anos 80: longe do cenário nerd do pacato interior, o punk ditava a rebeldia nos grandes centros. A introdução da personagem Kali traz uma nova forma de explorar a história de Eleven e os experimentos realizados no laboratório, além de trazer um ar de renovação à trama excessivamente dedicada aos seus personagens.

Assim como a temporada anterior, Stranger Things 2 trouxe um produto de excelente qualidade para o público, entregando uma direção de arte sempre fenomenal, capaz de traduzir a nostalgia de forma tátil e grandiosamente carismática em cada detalhe da história. O casting, como sempre, trouxe atuações memoráveis, assim como já era esperado, com destaque óbvio para o pequeno Noah Schnapp, que deu vida não só ao personagem Will Byers, mas também às suas emoções de maneira vívida e singular, deixando claro o amadurecimento da série como um todo.

Os 17 episódios do show estão inteiramente disponíveis na Netflix, assim como diversos extras sobre a produção e gravação da série que são exibidos logo após o término dos episódios, uma forma de agradecimento pelo carinho do fandom que acabou se tornando o maior da plataforma. A terceira temporada já está confirmada e sua produção deve começar muito em breve, devido ao crescimento dos atores. Os Irmãos Duffer, criadores do programa, já declaram que a história deve ser finalizada com quatro temporadas.

Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.