The End of the F***ing World – Imediatismo inglês na explosão juvenil

Produções com a temática central voltada para os complexos ritos de passagem da adolescência para a vida adulta sempre possuem uma certa facilidade em conquistar uma nostálgica parcela da nossa atenção. O que trouxe The End of the F***ing World ao estrelato nos últimos dias não foi só o fácil acesso à série após a disponibilização na Netflix, tão pouco podemos considerar unicamente o fato de que os episódios somam pouco mais de três horas de maratona, mas, com certeza, o texto de presença inegável, visivelmente bem mais forte do que esperávamos de um seriado teen.

A produção foi criada e exibida originalmente pelo Channel 4 e convida o espectador a uma viagem de humor singular. Baseada nos quadrinhos de Charles Forsman, a novidade traz a história de Alyssa e James, dois jovens de personalidade forte e significativamente traumatizados, que juntos, saem em busca de encontrar o pai dela. Transitando entre psicopatia, sociopatia, bipolaridade e depressão, as reflexões aqui apresentadas vão na completa contra mão ao tom que o seriado aplica em diversos trechos, muitas vezes com pontos de escape inimagináveis, trabalhando de maneira persistente no desajuste social dos protagonistas.

A arte de transformar fortes dramas em comédias é uma característica recorrente dentro das produções inglesas, onde também podemos notar, em grande maioria: texto extremamente forte, que cativa resposta sentimental do público sempre que possível, uma fotografia detalhada e muito adequada, além do ritmo que apresenta a trama com a identidade única, deixando o resultado final com um apetitoso gosto de originalidade e qualidade.

A produção que leva a assinatura de Jonathan Entwistle e Charlie Covell, não entrega nada além do que lhe é solicitado, mas sabe fazer seu serviço bem feito. Ao fritar dos ovos, The End of the F***ing World é uma série corajosa, irreverente e, antes de qualquer outra coisa, uma das melhores receitas para maratona já disponibilizadas na plataforma. Com oito episódios de aproximadamente 20 minutos, a série está inteiramente disponível no serviço.

Confira o trailer:

Influenciadora analógica, 25 invernos.
Fingo que desenho, pensam que escrevo, mas no fim eu só bebo (enquanto assisto séries).
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

Comments

comments

, , ,
Jôicy Franco

About Jôicy Franco

Influenciadora analógica, 25 invernos. Fingo que desenho, pensam que escrevo, mas no fim eu só bebo (enquanto assisto séries). Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.
View all posts by Jôicy Franco →