The Punisher – Violência de forma visceral

Mais uma série nascida da parceria Marvel e Netflix chega ao público e, dessa vez, nenhuma gota de sangue foi poupada. O Justiceiro foi disponibilizada mundialmente pela plataforma na madrugada do último dia 17, trazendo para nossas telas a história de Frank Castle, um ex-fuzileiro da marinha americana, que se torna um vigilante sanguinário após o assassinato de sua amada família, em busca de vingança.

Depois de oito anos servindo como fuzileiro, Castle volta para casa decidido a se aposentar para se dedicar mais tempo à sua amada esposa e seus dois filhos. No dia de seu retorno, sua família é brutalmente assassinada durante um passeio, complementando de forma excessiva o grande acúmulo de traumas de Castle, conquistados em anos de experiência em campo de batalha. Inundado em dor e solidão, ele sai em busca de vingança contra cada um dos envolvidos no tiroteio que dizimou sua família.

A narrativa começa a surpreender em seus primeiros episódios, quando apresenta toda a história que esperávamos para a temporada logo de cara. A vingança de Castle é rápida, precisa e matemática, trazendo um desenvolvimento muito adequado ao ritmo apresentado na história. A entonação da trama também é jogada na nossa tela sem mais delongas, com direito até a um tiro dado do outro lado da fronteira, trazendo sequências de câmera muito bem produzidas, que acabam conseguindo facilmente contar a história sozinhas.

A história de Castle se aprofunda de uma maneira bastante envolvente e consegue traduzir o trauma e a dor do personagem para toda a trama, apresentando um protagonista tão absolvido em sua dor que acaba afetando o relacionamento dele com a dor muscular. O texto se desenvolve em diálogos que acabam resultando em emoções singulares: The Punisher não é violenta só de forma gráfica com mortes sangrentas e longos tiroteios, a nova Original Netflix traz a violência no nível mental, o trauma de ser forçado a fazer coisas extremamente cruéis sob ordens de outras pessoas, o desespero de perder as pessoas que você mais ama em cerca de minutos.

Um dos pontos que mais solidificam a série e muito provavelmente um dos maiores responsáveis por ela ter obtido um dos melhore resultados dessa parceria é o fato de que Castle não possuí superpoderes sobrenaturais, não foi contaminado por algo químico e seus vilões não são alienígenas soberbos. A produção é real, é próxima de seu público, é humana. Seus vilões são a ganância e a conspiração dos órgãos que detêm o controle, pessoas que fariam qualquer coisa para manter seus respectivos bolsos muito bem abastecidos.

Outro acerto grande da produção é sua relevância em meio o contexto social. O seriado tinha estreia prevista para outubro mas, logo no início do mês o atentado de Las Vegas deixou cerca de 58 mortos e mais de 500 pessoas feridas, se tornando o segundo maior na história do país desde o 11 de setembro. A tragédia fez com a Netflix prontamente cancelasse o painel da série na Comic Con de Nova York, que aconteceria na semana seguinte e, prudentemente deixasse a estreia para novembro. A questão é que, essas alterações na agenda do serviço não foram só uma questão de respeito às vítimas: a série também aborda um grande questionamento a respeito do porte e da liberação de armas à população, questão assegurada por uma emenda constitucional no país e de extrema necessidade de debate em tempos onde o conservadorismo vem se apropriando das decisões importantes.

A primeira temporada está inteiramente disponível na plataforma de streaming, com 13 episódios de aproximadamente 40 minutos cada. mas lembre-se: a censura é para maiores de 18 anos e a série realmente é bastante objetiva em tornar explícita sua violência. Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.